Sole Jaimes, atacante das Sereias da Vila (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC)
Sole Jaimes, atacante das Sereias da Vila (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC)

Artilheira, Sole Jaimes é a esperança de gols do Santos na final do Brasileiro

Florência Soledad Jaimes, mais conhecida como Sole Jaimes, é a artilheira e uma das principais personagens da atual edição do Campeonato Brasileiro Feminino. Com 16 gols, a camisa 9 santista foi peça-chave na campanha que levou as Sereias da Vila, equipe feminina do Peixe, para as finais do torneio.

Agora, ela e suas companheiras buscam um feito histórico para o Clube: o título inédito do Brasileirão. Nesta quinta-feira (13), o Santos enfrenta o Corinthians, às 18h30, na Vila Belmiro, com portões abertos ao torcedor santista, pelo jogo de ida das finais do Nacional.

Para chegar até a fase decisiva, o time da Vila bateu o Iranduba nas semifinais. Na ida, na Arena Amazônia, em Manaus, as meninas do Alvinegro Praiano bateram de virada o adversário por 2 a 1. No duelo da volta, no Urbano Caldeira, no último sábado (08), a equipe comandada por Caio Couto venceu por 3 a 2 e se classificou.

Nesse jogo, inclusive, a atleta argentina retomou a artilharia e ultrapassou a atacante Byanca, do Corinthians, que soma 15 tentos até aqui na competição. Além da briga pelo título, a finalíssima entre as arquirrivais marcará também o encontro das maiores goleadoras do Brasil nesta temporada.

Em entrevista exclusiva ao Santista Roxo na véspera da partida mais importante para as Sereias no ano, Sole Jaimes falou sobre a expectativa para o confronto diante da equipe corintiana, a briga pela artilharia, a importância da torcida santista lotar a Vila Belmiro, a ótima campanha do time no Brasileirão e a receita para sua boa fase no Santos.

Confira a entrevista exclusiva com Sole Jaimes, artilheira isolada do Brasileirão:

Como está sendo a preparação do Santos para a final?

Nós estamos focadas desde o começo do campeonato para chegarmos na final e tentar trazer um título para o Santos. Todos os jogos foram difíceis para nós e esse não vai ser diferente (contra o Corinthians). É final e clássico. Mas estou tranquila e o time está trabalhando com muita seriedade.

Santos e Corinthians é um jogo que envolve muita rivalidade. Vocês meninas têm noção da importância que é ganhar um título em cima de um arquirrival?

Clássico é clássico. Eu sei disso, pois sou argentina e já vi muitos jogos entre Boca Juniors e River Plate. Lá você pode perder um campeonato, mas contra o River você não pode perder. Então, eu sei muito bem o que significa. Não é uma pressão, ao contrário, é algo muito bom. Imagina chegar à final e ter um clássico pela frente? É algo muito emocionante.

A final marcará também uma disputa individual. Você está um gol na frente da Byanca (do Corinthians) na artilharia do campeonato. Isso chega a ser uma motivação a mais?

Obviamente gostaria de ser artilheira do campeonato. No campeonato anterior já fui artilheira (no Paulistão do ano passado Sole marcou 16 gols). Gostaria de bater minha meta, fiz 16 gols no ano passado e agora quero ultrapassar. Sou atacante e vivo de gols, mas se o time ganhar, eu ficarei feliz do mesmo jeito.

Qual é a receita das irretocáveis campanhas das Sereias no Paulistão e no Campeonato Brasileiro?

Nosso time passou por muita coisa, estava se formando e se conhecendo no ano passado. Não conseguimos ganhar nada, chegamos na final (do Paulista), mas não conseguimos um título para o Clube. Creio que seja nosso foco (esse ano). Nós teremos que dar algo para o presidente (Modesto Roma). Eu sou muito de pensar sobre a estrutura que o Santos disponibiliza para o futebol feminino. Eu já estive em outro time brasileiro, então sei que o presidente, a gente e o Clube merecemos muito. Nosso foco é esse.

Importância da torcida lotar a Vila Belmiro hoje?

É algo muito gostoso. Muito emocionante e bom para nós. Podemos ver que o futebol feminino está crescendo, é muito confortante você sair de campo e ver toda a sua torcida vibrando. Isso é uma coisa extra para entrarmos em campo e tentarmos ser as melhores por toda essa gente que vem nos assistir.

No ano passado, o Corinthians estava conquistando a vaga para a final do Campeonato Estadual até os últimos minutos. A zagueira Cida, porém, sofreu um pênalti, você converteu a cobrança e as eliminou. O que você lembra desse jogo?

O jogo estava acabando, a zagueira Cida entrou e sofreu o pênalti. Aí você pensa o quanto temos que trabalhar, né? Graças a essa menina, que estava no banco de reservas e não estava jogando, conseguimos a classificação. Em outros momentos também fui reserva, entrei e tentei fazer o meu melhor. Na hora do pênalti, tentei fazer o meu melhor, mas sem preocupação nenhuma. Graças a Deus a bola entrou e conseguimos a vitória para o Santos.

Santos 2×2 Corinthians – Semifinal do Campeonato Paulista Feminino 21/08/2016

É menos favorável jogar a primeira partida em casa?

Por todos os torcedores que virão assistir, queríamos que o segundo jogo fosse em casa. Mas eu não ligo, vamos ter que jogar fora de qualquer forma. Minha cabeça está concentrada e focada, não interessa onde vai ser (o segundo jogo). Como falei, gostaria, mas é mais pelos torcedores. Por mim, está bom assim.

Santos e Corinthians fizeram duelos muito parelhos este ano. Quais são os pontos positivos das adversárias?

É um time que joga muito parecido com a gente, que joga com a bola no pé. Temos que manter a mesma característica. É final, clássico, vai ser um ótimo jogo.

Você vem sendo artilheira pelo Santos nos últimos dois anos. Como explicar vir da argentina, passar por clubes do Brasil e dar tão certo aqui?

Eu sou uma pessoa que trabalha muito, sou muito autocrítica e me cobro muito. Se eu erro, fico muito mal. Se no outro dia não tem treino, fico preocupada e com vontade de chegar no treinamento para melhorar o que eu fiz de errado. E se você não se movimenta na vida, você não consegue nada, fica em um lugar confortável. Minha maneira de pensar não é essa. Eu deixei minha família, meu bem mais precioso. Estou deixando muita coisa de lado: minha mãe e meus irmãos. Só os vejo uma vez por ano. Então é muito mais difícil pra mim. As meninas conseguem ver seus familiares. Eu não consigo fazer isso, a passagem é cara e é muita coisa envolvida. Por isso, longe da minha família, eu tenho que fazer o melhor de mim.

Sob supervisão de Gabriela Fernandes

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