Levir Culpi, novo técnico do Santos (Foto: Vítor Henrique / Santista Roxo)
Levir Culpi, novo técnico do Santos (Foto: Vítor Henrique / Santista Roxo)

Apresentado oficialmente, Levir projeta ano marcado na história do Santos

Depois de ser anunciado como o novo técnico do Santos FC na última semana, Levir Culpi foi apresentado oficialmente nesta segunda-feira (12), no CT Rei Pelé. Ao lado do superintendente de futebol Dagoberto Santos, o novo comandante, bem-humorado, falou por cerca de 30 minutos com os jornalistas.

E a única preocupação demonstrada pelo novo comandante foi em relação ao ambiente e o relacionamento entre os profissionais do Clube.

“É um fator que me preocupa muito. O ambiente de trabalho tem muita influência na positividade. Eu prezo muito isso. Eu procuro um ambiente que todos se sintam felizes. E se alguém não estiver satisfeito é importante que essa pessoa saia. Se está insatisfeito você falha no trabalho. Eu procuro uma relação próxima. Sem um bom ambiente a gente não tem tudo”, disse Levir.

O técnico passa a comandar o Santos em um momento mais tranquilo. Após a demissão de Dorival Júnior, o time, sob o comando interino de Elano, ”engrenou’ e venceu duas partidas seguidas no Brasileirão contra Botafogo, no Pacaembu, e Atlético-PR, na Arena da Baixada. O novo técnico, no entanto, enfrenta o seu o primeiro desafio logo no clássico diante do Palmeiras, na próxima quarta-feira (14), na Vila Belmiro.

“Sem emoção, não tem graça. Tem que ter desafio. Quem não gosta, tem que sair do futebol. O que levamos do futebol é passar por cima desses problemas. Temos dificuldades grandes. Já é o Palmeiras na quarta. O que se passa na cabeça deles? Querem ganhar do Santos. E vice-versa. É pouco tempo, me apoio nos profissionais e nos jogadores. O time tem entrosamento, joga bem. Não é uma pérola, como nenhum time (do Brasil) é, todos têm problemas”, pontuou.

Levir Culpi tem um contrato válido até dezembro.Com 64 anos, o comandante estava desempregado desde novembro de 2016, quando foi demitido do Fluminense. Nos últimos anos, Levir ficou marcado por barrar ‘medalhões’ como Fred na equipe carioca, e também por ter um desentendimento com Ronaldinho Gaúcho, no Atlético-MG, em 2014.

Apesar da extensa carreira, com passagens por diversos clubes do futebol brasileiro e de fora do país, Levir vai dirigir o Peixe pela primeira vez em sua carreira. Seus títulos de maior expressão são os da Copa do Brasil pelo Cruzeiro, em 1996, e pelo Atlético-MG, em 2014.

Confira outros trechos da primeira entrevista coletiva de Levir Culpi no Santos:

Expectativa de assumir o Santos

Eu agradeço pelo carinho, mas sei que quarta-feira já tem jogo. Preciso me identificar melhor com as coisas. Terei que me amparar nessas pessoas que fazem o Santos. Elano, Marcelo, Serginho… toda a comissão técnica. Já tivemos uma conversa rápida. É tudo muito rápido. Jogadores jogaram ontem.

Análise inicial da equipe

Time tem valores ótimos. O time e o Clube falam por si, estou empolgado. São três competições muito importantes e a Libertadores é a cereja do bolo. Confio na capacidade de todos. Espero ser muito feliz. Unidos, podemos ganhar algum título ou até todos.
Contrato até o fim do ano é curto?
Na realidade, o contrato é longo. Não existe transformação em seis meses. Penso em ser mais um e acrescentar. Time tem estabilidade. O Dorival ficou dois anos em um trabalho muito sério. Agora, é dar continuidade. É olho brilhando em busca de conquistas. O Santos tem que se ajustar um pouco melhor para estar em condições de vencer.
Análise do trabalho da ex-comissão técnica
Não sei bem o trabalho que foi feito. Só sei que foi bem feito. É difícil detectar. Quem estava em boa fase com Dorival pode entrar em má fase comigo. Não dá pra detectar um problema e eliminar. Outros surgem. Sozinho, ninguém consegue. Estou otimista, acho que esse ano ainda vai marcar a história do Clube.
Teve que se reciclar ao longo dos anos?
Eu não tive que me adaptar aos novos tempos porque eu estava vivo (risos). Venho viajando com o tempo. Não tenho capacidade para definir o meu trabalho. Sei que tenho muito a aprender. Não vejo idade para isso. Futebol tem lado lúdico. Não é matemática. Aprender futebol, é amar, é gostar e participar. É mais forte do que isso. Depois de 50 anos, eu tenho que estar em dia, mas dentro de campo a plasticidade do jogo é difícil de analisar e aprender aquilo. É como um cantor. Nasce sabendo, mas pode melhorar. Não é matemática. Tive sorte de completar curso superior. Mas fica um pouco à parte. Não existe nada parecido com o futebol. É muito ‘feeling’. 2 a 0 vira 5 a 2 e às vezes. Já falei um montão e não respondi o que você perguntou (risos).
Disputa entre Ricardo Oliveira e Kayke no ataque. Quem será o titular?
A pergunta é ótima, mas você vai ficar sem resposta. (O Ricardo é o) Roberto Carlos e (o Kayke é) um cantor que está começando e tem um brilho. A produtividade faz com que o jogador se firme no time. Não vejo idade (um fator determinante), foi uma coincidência na minha carreira… Trabalho com jogadores há mais de 30 anos e às vezes o menino é quem resolve. Vou ter que fazer escolhas. É algo momentâneo. Teremos que decidir. Só 11 ficarão felizes.
Elenco
Não conheço muito. Vi jogando, mas são 37. Temos até argentinos no Santos. A gente não gosta, brinco muito com eles (risos). Tenho que conhecer melhor a personalidade de cada um. Mas, com certeza, o elenco é um dos melhores do país. Vi o trabalho do Dorival, com a manutenção do elenco. Temos que melhorar ainda mais.
Vai pedir contratações?
Quando acertei, fui ver o elenco e quem são. Observei algumas coisas. Você contrata os melhores do mundo, a tendência é do melhor trabalho. Mas os elencos do país são parecidos. Depende do relacionamento e do que se tira deles. Pode ter uma pedra preciosa na Série C. O elenco do Santos eu acho ótimo. É questão de extrair o que podem oferecer, temos força suficiente.
Vai priorizar alguma competição?
Penso parecido com Dorival. Se coloque no lugar do técnico. Tínhamos três competições e afunilou. Agora, por exemplo, é quarta e domingo. Problema é assim: quem jogou quarta e domingo no Santos, quarta em São Paulo e domingo em Curitiba, os que jogaram ficam longe dos que não jogaram. Ou vice-versa. Que tipo de trabalho se faz com os que não jogaram? Os 20 e poucos? Para ficarem parecidos com os que jogaram? É o mais difícil no futebol. É fazer o elenco todo ter condições parecidas sem jogar.
Pretende mudar muito a equipe?
Estou me apoiando neles. No Dagoberto, no Elano, no Marcelo, no Serginho… Ceolin que trabalhamos juntos. Preciso de um apoio inicial nessa leitura. Quando a bola rola, temos noção e conhecemos a maioria deles. Não vamos mexer muito na base. É dar continuidade ao máximo e amanhã definir, mas não vai ter muita mudança.
Homofobia no futebol
Queria mandar um abraço para a minha mulher e para todos que se amam, independentemente de sexo. Culturalmente, temos esses tabus. Não é da noite para o dia que vamos acabar. O problema é educação. Cabe a nós, sempre que possível, passar essa mensagem. Estamos vivendo e aprendendo, mas eu, sinceramente, mando abraço a todos e para todos os homossexuais, que se amam como a gente ama a qualquer ser humano.

Sob supervisão de Gabriela Fernandes

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