José Carlos Peres, atual presidente do Santos (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Após prever ano difícil, Santos gasta quase R$ 80 milhões e chega a 10 reforços em 2019

No início desta temporada, o presidente do Santos, José Carlos Peres, admitiu que o ano de 2019 seria bem complicado para o Alvinegro e provavelmente de poucos investimentos no Departamento de Futebol. Na prática, no entanto, isso não foi bem o que aconteceu.

Desde a chegada do “gabaritado” técnico Jorge Sampaoli à Vila Belmiro, o Peixe foi às compras e não poupou esforços para atender os desejos do argentino. Em números, com a chegada de Uribe, ex-Flamengo, o Clube gastou aproximadamente R$ 78 milhões em 10 contratações.

A maior das aquisições foi o peruano Cueva, que chegou ao elenco com status de estrela após um período sem brilho no Krassnodar, da Rússia. O meio-campista era bem avaliado por sua passagem pelo arquirrival São Paulo, onde teve boas atuações e marcou gols importantes entre 2016 e 2018.

“O técnico (Sampaoli) solicitou e estava dentro de uma lista de possíveis reforços. Temos que pagar até 2022, mas obviamente vamos liquidar antes. Pelo menos é a nossa proposta”, disse o presidente José Carlos Peres, que prometeu quitar a compra até o fim de seu mandato, em dezembro de 2020.

O zagueiro Felipe Aguilar é o segundo da lista e chegou ao Santos pela bagatela de R$ 15 milhões. O jogador fez uma péssima estreia na goleada sofrida por 5 a 1 para o Ituano no Paulistão, mas se recuperou e hoje é importante na equipe. O venezuelano Soteldo, contratado por R$ 13 milhões, aparece na sequência. O baixinho, de 1.60, divide opiniões, mas tem sido titular com o treinador.

Everson, Felipe Jonatan, Jobson e Marinho são os demais jogadores contratados. Todos estes por valores “abaixo da média” (entre R$ 4 milhões a R$ 6 milhões). Jean Lucas e Jorge, ambos emprestados, são os únicos da lista em que o Santos precisa se preocupar apenas com os salários.

Os contratados do Santos em 2019:
Estes números, claro, não contam os ordenados dos atletas

Cueva contratado junto ao Krassnodar, da Rússia, por R$ 26 milhões;
Felipe Aguilar contratado do Atlético Nacional, da Colômbia, por R$ 15 milhões;
Soteldo contratado do Huachipato, do Peru, por R$ 13 milhões;
Felipe Jonatan contratado do Ceará por R$ 6 milhões;
Uribe contratado do Flamengo por R$ 5,5 milhões;
Everson contratado do Ceará por R$ 4 milhões;
Marinho contratado do Grêmio por R$ 4 milhões;
Jobson contratado do Red Bull por R$ 4 milhões;
Jorge e Jean Lucas contratados por empréstimo de Mônaco e Flamengo, respectivamente.

Sabendo disso, José Carlos Peres acredita que a hora agora é de fazer vendas e recuperar parte do valor investido. Ele espera negociar alguns estrangeiros, como Bryan Ruiz, Copete, Derlis González e até mesmo Cueva. Todos estes já receberam sondagens em algum momento. Jogadores como Lucas Veríssimo e Luiz Felipe também são bem avaliados no mercado e podem receber propostas de alto valor.

Mas, caso surja uma boa oportunidade, o dirigente também não descarta abrir o bolso novamente. O foco principal é um lateral-direito para fazer sombra ao capitão Victor Ferraz no elenco.

“Completamos 11 contratações. E com saída de Rodrygo, precisaremos de mais um extremo. Estamos alertas. Agora entramos num objetivo de colocar numa lista de negociáveis. Agora é venda. Fizemos só compra, agora só venda. Queremos menos estrangeiros. Sem mais empréstimos se pudermos, dividir salários e dar oportunidade é um investimento, mas atletas já passaram dessa fase. Liga americana, bem receptiva, clubes da Europa de Portugal interessados em parceria”, disse o dirigente em entrevista coletiva.

Apesar das contratações, o Santos vive situação financeira delicada. O Conselho Deliberativo reprovou duas vezes as contas do primeiro ano da gestão de Peres por conta do aumento da dívida do Clube de R$ 258 milhões para R$ 302 milhões. Isso sem contar o dinheiro da venda de Rodrygo ao Real Madrid – 20 milhões de euros (R$ 87,5 mi) da primeira parcela, já paga, e 25 milhões (R$ 109,4 mi) a serem quitados em junho.

A diretoria santista se defende e diz ter pago R$ 74 milhões em compromissos pendentes de gestões anteriores. Além disso, o presidente afirma que o Peixe estaria “no azul” se o valor da venda de Rodrygo tivesse sido computado por completo no relatório das contas do primeiro ano.

Verdade ou não, será bem difícil ver um Santos “nadando em dinheiro” nos próximos meses.

 

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