Santos completa 107 anos neste domingo (Foto: Divulgação)

Aos queridíssimos Francisco, Mário e Argemiro

Por: Hadassah Zucoloto

Não sei se vocês sabem, acredito que não, mas já ganhei muitos presentes ao longo dos meus poucos anos de vida. Alguns gostei mais do que outros – coisa normal, acontece com todo mundo. Mas, de todos estes, apenas um eu amei. Amei não, amo. E amo tanto que, justo eu, sempre amiga das palavras, não as encontro quando preciso descrevê-lo.

Por quê? Ah, ele é incrível. Seu tamanho é imensurável, assim como sua preciosidade. A beleza, então, não preciso explicar. Basta olhar para suas cores, tão sutis e nobres, que você entende o que quero dizer. É de tirar o fôlego, uma verdadeira obra de arte. De futebol arte. Por onde passa, arranca suspiros com seu passado e presente de glórias.
Engraçado, mas eu nem tive o prazer de os conhecer e muito menos agradecer, afinal, este presente foram vocês que me deram, há exatos 107 anos.

Não, eu não existia.

Acredito que a maior parte dos outros tantos que atualmente desfrutam dessa dádiva também não.

Ao idealizar o Santos Futebol Clube, vocês não só deram origem a um time de futebol, mas também ao amor da minha e de outras milhões de vidas espalhadas pelo mundo. Todos nascemos, naquela tarde, das palmas destas seis mãos. Até mesmo Thomas Edison, considerado por muitos o maior inventor de todos os tempos, sentiu inveja pois, apesar de seu Q.I. de 240, não conseguiu pensar em algo tão grandioso quanto o alvinegro praiano destes três despretensiosos amigos.

É tão estranho pensar de uma conversa descontraída, em uma cidadezinha do litoral, surgiu o maior de todos os tempos. Será que vocês imaginavam que este clube chegaria onde chegou? Que conquistaria o mundo, pararia guerras? Que revelaria o maior jogador de todos os tempos? Que aquela camisa branca, bordada com todo cuidado, teria tanto peso? Coisa de quem nasceu predestinado a triunfar. A sobressair-se diante de seus oponentes.

Queria que estivessem aqui para vê-lo agora. Mesmo com a idade avançada, continua um menino. Muito audacioso, inclusive. Que gosta de ir pra cima, atacar, driblar, pedalar. Imparável e incomparável. Nunca precisou cair para se reerguer. Nunca abaixou a cabeça diante das dificuldades e muito menos desistiu. Nunca precisou provar sua imensidão para ninguém. Seus títulos são incontáveis. Suas vitórias continuam constantes. Teve altos e baixos, mas sempre voltou ao lugar que é dele por direito: o topo.

Dentre suas muitas conquistas, meu coração seja, talvez, a menor delas. Entretanto, cada batida é dedicada a amar e apoiar incondicionalmente o nosso peixão.

Venho expressar, através desta singela carta, minha eterna gratidão. Pela história, que um dia vocês começaram e jamais acabará. Essa história deu origem a muitas outras tão bonitas quanto, e tão infinitas também. Graças ao Santos, e consequentemente a vocês, eu vivi os melhores e mais felizes dias de minha vida. Alguns de tristeza, claro, mas nada que não fosse compensado depois… Quem é santista sabe: nossos triunfos são bem maiores que nossas derrotas.

Tenho certeza que os deuses do futebol agradecem também. Por tudo. Enquanto este esporte existir, ele deverá boa parte do que é hoje a vocês.

Por fim, quero parabenizá-los pelo dia de hoje. Parabenizar-nos. Todos nós. Crianças, jovens, adultos, idosos… Juntos somos o Santos. Somos a garantia de que, daqui 107 anos, o clube seguirá vivo. Seguirá forte. Este amor está no DNA, corre nas veias, passa de geração em geração. Até que o último coração alvinegro pare de bater, vocês serão lembrados e reverenciados. Obrigada por tanto.

Celebrem daí, daqui faremos festa.

É um orgulho que só nós podemos ter.

Com amor,
Eu.

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