Resumão sobre o River Plate-URU

Como de costume, eu faço as análises dos adversários do Santos nas competições sul-americanas. No entanto, o rival do Peixe na estreia da Copa Sul-americana não atua em jogos oficiais desde o dia 28 de outubro de 2018. Pois é. Em 2019, o River Plate só realizou jogos-treinos e amistosos, sendo 90% deles com portões fechados. Ou seja, um verdadeiro mistério para os torcedores.

Entretanto, consegui coletar algumas informações que podem servir de alento para o torcedor santista, que vê com ansiedade a estreia do alvinegro praiano nessa terça-feira, dia 12. Dá uma olhada aí embaixo para descobrir algumas curiosidades sobre a equipe uruguaia, além de um breve resumo tático com as poucas informações obtidas sobre o Darsenero. Não vai ser igual as anteriores, porém, já dá para matar um pouco o suspense.

 

  • Uma equipe taticamente conservadora e com muitos defeitos

O treinador do River Plate é Jorge Giordano, 53 anos, que sempre dirigiu equipes pequenas no Uruguai. Ele é adepto do 4-4-2, mas com uma variação para o 4-3-3 dependendo das circunstâncias. O River Plate é uma equipe pesada na defesa e lenta no meio-campo, especialmente pelo fato de jogar com três volantes de origem: Piriz, Calzada e Ospitaleche. A trinca de volantes tem qualidade com a bola nos pés, porém, é muito lenta para criar jogadas e para recompor na marcação.

Calzada e Ospitaleche são bons chutadores de longa distância. O primeiro, inclusive, costuma arriscar até com demasia os tiros de fora da área, então é bom ficar atento com isso.

Na temporada passada, quando ainda não contava com Piriz, que é reforço para 2019, Giordano sofria para montar a equipe, pois sempre havia algum desfalque por suspensão. A defesa tomou DEZESSETE gols nos últimos 5 jogos pelo Clausura, em 2018. As duas últimas atuações foram humilhações perante Liverpool e Wanderers, sendo um 4×1 jogando fora de casa e um 5×0 jogando em casa, respectivamente. A equipe darsenera se despediu do campeonato com uma vitória por 3×0, que foi por WO, contra o El Tanque Sisley.

Apesar das goleadas, a defesa foi esfacelada após o término da temporada com as saídas de Nicola Perez (goleiro), Emiliano García (lateral-esquerdo) e Williams Martínez (zagueiro), que conseguiram equipes melhores. O grande problema em 2018 era o buraco que ficava entre os volantes e a dupla de zaga. Era muito fácil trocar passes pelo centro e infiltrar na grande área do River Plate. Além disso, os laterais eram bem lentos e os substitutos em 2019 sofrem do mesmo problema. Claudio Herrera, que ganhou a vaga na direita, esteve presente nas duas últimas goleadas sofridas, tendo desempenhado um papel sofrível.

Ofensivamente, o grande nome é Mauro Da Luz, 23 anos, que será o responsável pela armação da equipe. Em 2018 ele atuava ao lado de Matías Jones, que era mais cadenciador. Da Luz é mais rápido, tem bom drible e gosta de verticalizar o jogo. O camisa 17, apesar de jovem e rápido, também é forte e aguenta o jogo físico. Giordano tem dúvidas sobre a configuração do ataque, já que Luís Urruti não deve ter condições de jogo. Caso opte pelo clássico 4-4-2, o River Plate pode ter o veteraníssimo Juan Manuel Oliveira no comando do ataque com Gabriel Leyes, formando uma dupla muito pesada e tecnicamente sofrível.

Todavia, Facundo Vigo pode ser a surpresa do treinador uruguaio. Vigo é uma jovem promessa e tem mutia qualidade no “um contra um”. Com apenas 19 anos de idade, o garoto já serviu a seleção celeste nas categorias inferiores e demonstra muita técnica para driblar e finalizar. Taticamente, Vigo pode ser uma arma interessante, pois o River Plate pode alterar o 4-4-2 para o 4-3-3 com Da Luz na direita e ele na esquerda, além de Oliveira centralizado.

A provável equipe deve ser formada por Gastón Oliveira, Cláudio Herrera, Iván Silva, Augustín Ale, Luís Olivera; Maximiliano Calzada, Sebastián Piriz, Facundo Ospitaleche, Mauro Da Luz, Gabriel Leyes (Facundo Vigo) e Juan Manuel Oliveira.

Como dito antes, o River Plate não fez nenhuma partida oficial em 2019 ainda. O grande duelo será contra o Santos, nessa terça-feira. No entanto, Jorge Giordano teve SETE amistosos nesse período de preparação, das quais venceu apenas duas partidas (Progresso e Cerro Largo). Detalhe para as derrotas por 4×1 para o Peñarol e 3×1 para o Barcelona de Guayaquil (jogando no Uruguai).

 

  • Uma equipe que revela muitos jogadores

Baseado em Montevidéu, o River Plate tem como grande qualidade a revelação de talentos. Lucas Olaza, em 2012, Michael Santos e Nicolás Schiapaccasse, que chegaram a enfrentar o Palmeiras, há três anos, em sua primeira vez na fase de grupos da Libertadores, são alguns exemplos. Em 2018, os darseneros ficaram em terceiro lugar na Libertadores Sub-20, revelando Facundo Vigo e José Neris, que já serviram a seleção de base. Apesar da defesa ter sido vazada com frequência na última temporada, Augustín Ale, de apenas 23 anos, é outra prata da casa que chama a atenção (inclusive já figurou nas lista do blog).

 

  • Não vai enfrentar o Santos em casa

Mesmo sendo o mandante da partida de ida, o River Plate não vai jogar no simpático Parque Saroldi devido ao tamanho do estádio. Com capacidade para pouco mais de 5 mil pessoas, a Conmebol não permitiu que o clube mandasse a partida lá, tendo que utilizar o Luís Franzini, casa do Defensor Sporting, que tem capacidade para 18 mil pessoas. Dizem as más línguas que a diretoria do clube não ligou muito, porque eles visam uma arrecadação maior por conta do apreço que o Santos tem entre os Charrúas.

 

  • Não sabe o que é vencer há cinco meses

Tecnicamente, o River Plate se despediu com vitória do campeonato uruguaio em 2018 graças ao WO contra o El Tanque Sisley. Entretanto, a última vitória da equipe dentro de campo foi no dia 23 de setembro de 2018, quando derrotou o Defensor por 3×2 no Parque Saroldi. Dos remanescentes, Mauro Da Luz e Juan Manuel Oliveira deixaram suas marcas no confronto.

 

  • Vive uma situação financeira preocupante

Não é novidade para ninguém que as equipes uruguaias estão na pindaíba. Se já é difícil para Peñarol e Nacional montar elencos, o que dizer do modesto River Plate? Para se ter uma ideia, Facundo Boné, revelado pelo darsenero, e com passagem pelas categorias de base do Uruguai, foi vendido ao Vila Nova-GO por uma quantia baixa.

 

  • Um clube de estivadores e a rivalidade de bairro

Montevidéu tem um porto muito antigo, por isso tanto o clube quanto a torcida do River Plate são chamados de “darseneros”. Muitos dos fundadores da agremiação eram empregados do porto que fica localizado no bairro do Prado. Aliás, o bairro abriga três equipes: River Plate, Bella Vista e Montevideo Wanderers. O enfrentamento entre as equipes é chamado de “El Clásico del Prado”.

Comentários

comentário