O velho novo Santos

(Foto: Ivan Storti/Santos FC)

(Foto: Ivan Storti/Santos FC)

O Santos terminou a temporada deixando sentimentos díspares em seus torcedores. Alguns, furiosos, jogaram todo o trabalho de Dorival Junior no lixo. Outros, mais comedidos, olharam para o lado positivo e deram créditos ao trabalho do técnico, apesar da derrota na final da Copa do Brasil contra o Palmeiras.

Independente do desfecho de 2015, é bem verdade que Dorival mudou a forma do Santos jogar (na realidade, deu uma forma de jogo para o Peixe) e acabou encantando a todos, especialmente os torcedores. O Santos passou a jogar em linha, compactamente e com muita velocidade. A sincronia entre Lucas Lima, Gabigol, Marquinhos Gabriel e Ricardo Oliveira foi o grande trunfo santista, que criavam inúmeras chances de gol, conseguindo convertê-las em sua grande maioria. Além disso, Dorival conseguiu recuperar e lançar alguns garotos que estavam no limbo que fica entre a base e o plantel principal, casos de Zeca e Thiago Maia, que eram infinitamente melhores do que os seus antecessores. O Santos tinha um time titular muito forte, porém, faltavam peças de reposição à altura, o que na minha opinião foi o motivo da derrocada no final.

Para 2016, espera-se que Dorival, agora com mais tempo, consiga dar prosseguimento ao trabalho que vinha fazendo com grandes méritos. Apesar de ter perdido Marquinhos Gabriel e Geuvânio, o treinador conseguiu peças interessantes e bastante propícias ao estilo de jogo implantado e que enchera os olhos dos torcedores na temporada passada. O Santos, por enquanto, só contratou Paulinho, ex-Flamengo, e Joel, ex-Cruzeiro, sendo dois jogadores de ataque, e que à primeira vista serão os substitutos daqueles que já saíram. A iminente volta de Robinho, também para o ataque, vai inflar o setor santista, que já conta com Ricardo Oliveira, Gabriel, Neto Berola (até o final do Paulista), Patito Rodriguez e Marquinhos. Os três últimos são contestadíssimos, apesar de o argentino ser carismático e ter conquistado muitos torcedores com isso (fez um bom jogo-treino contra o Red Bull Brasil, mas desde que estreou pelo Peixe pouco produziu).

Paulinho, apesar de ser um jogador problema, é um ponta de naturalidade, função que se encaixa no 4-3-3 de Dorival. Caso Robinho venha, obviamente o Paulinho vai para o banco. O que muda do Robinho para o Paulinho? Velocidade. Robinho já tem 32 anos e perdeu um pouco de sua explosão, porém, é um jogador mais inteligente e mais técnico que Paulinho. Todavia, a presença do ex-flamenguista pode ser muito importante no segundo tempo, por exemplo. Ainda mais se o clube estiver na frente do placar, explorando o contra-ataque. Enquanto Robinho não vem, Paulinho pode quebrar o galho contra equipes menores. Joel foi uma contratação certeira da diretoria. O camaronês de 22 anos de idade é muito rápido, versátil no ataque e com faro de gol. O Santos o enfrentou pela Copa do Brasil, quando o atacante ainda estava no Londrina e fez um verdadeiro salseiro na defesa santista. Joel pode casar muito bem com Gabriel, que joga bem em qualquer posição do ataque.

O amistoso contra o Bahia foi animador, apesar do empate por 2 x 2, nos mostrou um Santos ofensivo, com transição rápida e um contra-ataque sincronizado. O gol de Gabriel, iniciado numa roubada de bola do Lucas Lima, que meteu um passe milimétrico para o Joel, que se livrou rapidamente da marcação e serviu o artilheiro santista para abrir o placar deve ser a síntese do que o Dorival busca. Praticamente uma ressurreição do melhor time do Santos em 2015. Com Ricardo Oliveira poupado do duelo contra o Bahia, justamente para entrar inteiro contra o São Bernardo, amanhã na Vila, mostrou um Santos com muita velocidade no ataque, podendo diminuir um pouco com a presença do matador. Entretanto, a troca de posição entre Gabriel e Paulinho, tática bastante utilizada no amistoso, pode ser muito interessante para criar espaços para Oliveira. Lucas Lima, que recuou mais do que o normal devido à ausência de Renato no duelo em Salvador, deve ter mais liberdade com a volta do volante, no duelo contra o time do ABC. Essa qualidade de buscar o jogo atrás é uma arma espetacular que o Santos tem, porém, recuar o Lucas Lima em demasia pode deixar um buraco no setor onde ele é mais fatal: perto da área.

Espera-se muita fluidez da equipe, que deve ir a campo com Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo (começou tímido, mas depois mostrou personalidade no confronto contra o Bahia) e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Gabriel, Paulinho e Ricardo Oliveira. O jogo pode ser calmo, caso o Peixe consiga se utilizar do entrosamento contra uma equipe sem muitos destaques que são o ex-são paulino Cañete e o perigoso atacante Henan. O Santos ainda não mudou muito, o que é bom. As duas novas peças de reposição, aliados ao jovem Victor Bueno, tem condições de manter um nível de atuação mais constante para o alvinegro praiano no Paulista. Como o time não deve parar por aí, nós vamos analisar uma nova possibilidade logo.

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