Lista de jogadores no mercado sul-americano – Parte 2

Eis a segunda parte da lista dos jogadores no mercado sul-americano. Aliás, abri uma exceção para um jogador que está dando o que falar na América Latina. Se você ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Aproveite e leia também as outras listas já feitas: lista 1, lista 2, lista 3, lista 4 e lista 5.

 

  • Matías Vargas (meia-esquerda ou “enganche”, 21 anos, Vélez Sarsfield-ARG)

Um jogador tão jovem, porém, com a personalidade de um veterano de Copa do Mundo. Matías Vargas subiu para a equipe principal do Vélez aos 19 anos, em 2016, e desde então não saiu da equipe titular do Fortín. Ele já foi sondado por equipes grandes da Europa, mas nenhuma proposta concreta foi feita por “Monito” até hoje. O contrato do armador argentino vai até 30 de junho de 2020, que provavelmente não permanecerá em solo portenho. Para um time que sonha com Arrascaeta (que é um craque, mas a grana atrapalha), Vargas seria o jogador dos sonhos da diretoria alvinegra, que precisa de um camisa 10 para o futuro. Monito é destro, mas gosta de jogar pelo lado esquerdo do meio-campo num 4-3-3, atuando como ponta, ou num 4-2-3-1, fazendo às vezes de meia-esquerda. Vargas também pode atuar como enganche, ficando atrás do centroavante e com liberdade de infiltração. A melhor posição para o jovem astro do Fortín é, justamente, onde ele está atuando atualmente: a ponta-esquerda. O argentino é veloz, driblador, criativo e um belíssimo armador de jogadas. Depois da debandada geral que a equipe sofreu entre 2016/17, sobrou para ele a incumbência de liderar a equipe. Apesar da pouquíssima idade, os números de Vargas foram incríveis na temporada. Com 13 partidas jogadas como titular (de 16 jogos), Vargas marcou quatro gols e deu uma assistência. Em 2017/18, o camisa 10 foi titular em todas as 25 partidas da equipe, sendo essencial na sobrevivência do Fortín, que era assombrado pelo rebaixamento via promedio (a soma dos pontos dos três últimos campeonatos). Vargas anotou cinco gols e deu 10 assistências. Na atual temporada, o argentino tem dois gols e uma assistência em 12 jogos. Por fazer parte de um elenco muito jovem, com Nicolás Domínguez, Lucas Robertone e a grande joia Thiago Almada, cai sobre os ombros de Vargas a obrigação de desequilibrar os jogos. E ele consegue muitas vezes com sua “jogada assinatura”, que consiste em carregar a bola pelo lado esquerdo, cortar para o meio e disparar um canhão contra o gol. O controle de bola de Monito é uma coisa absurda, parecendo ter cola nos pés.

Foto: Vélez

 

  • Adam Bareiro (centroavante, 22 anos, Nacional-PAR)

Um dos nomes mais quentes do futebol paraguaio, que vem revelando bons atacantes nos últimos anos. Adam Bareiro, de apenas 22 anos, é um dos artilheiros do ano no futebol paraguaio, sendo responsável por manter as esperanças do Nacional vivas durante o certame. Comparado a Antonio Sanabria, do Betis, Bareiro também é alto (1,84m) e com boa técnica para poder jogar fora da grande área. Além disso, o camisa 9 também é um exímio cabeceador e um finalizador muito frio quando está cara-a-cara com o goleiro (já fez dois belíssimos gols de cobertura no ano. Um contra o Cerro e outro contra o Libertad). No Apertura, Bareiro anotou 10 gols (quatro a menos que Óscar Cardozo, artilheiro da primeira parte). No Clausura, foram nove gols. Irmão mais novo do lendário Fredy Bareiro, Adam é um atleta muito explosivo, tanto nas arrancadas quanto na questão disciplinar. Notoriamente melhor que a maioria dos atacantes paraguaios, Bareiro precisa se controlar mais durante os jogos, tomando muitos cartões por ter “a língua maior do que a boca”.

 

  • Jorman Campuzano (volante, 22 anos, Atlético Nacional-COL)

Você já deve ter perdido a conta de quantos volantes colombianos que já passaram por aqui. Não te culpo, especialmente porque a Colômbia virou uma referência em meiocampistas na América do Sul nos últimos anos. Revelado no modesto Deportivo Pereira, Campuzano era desconhecido de muita gente até o Atlético Nacional apostar em seu trabalho. O “volante de saída” passou duas temporadas com o Deportivo Pereira na segunda divisão, onde debutou com 19 anos de idade. Famoso pela qualidade no passe, Campuzano teve aproveitamento de 92% no fundamento com a camisa do Nacional em 2018. Os passes longos do volante chamam muito a atenção. Jorman também é um grande ladrão de bolas, tendo média de 2.3 de interceptações por jogo. O colombiano pode ser o primeiro volante atrás de uma linha de quatro, como também pode ser o segundo volante com mais liberdade de criação. Aliás, Jorman não é um jogador que pisa dentro da área adversária, tendo feito apenas um gol em 30 jogos em 2018. Campuzano é muito mais útil participando da armação do jogo na origem da jogada, especificamente no segundo terço do gramado. Alguns clubes argentinos já demonstraram interesse na contratação do volante destro de 1,75m.

 

  • Claudio Baeza (volante, 24 anos, Colo-Colo-CHI)

Força, tática e regularidade. Claudio Baeza é titular incontestável do Colo-Colo desde os 20 anos de idade, especialmente pela personalidade forte que possui. O chileno de 24 anos passou por todas as camadas inferiores da seleção, tendo disputado torneios como Sul-americano Sub-20 e Mundial Sub-20, em 2013. O chileno, inclusive, fez gol no Sul-americano e foi apontado para o time ideal da competição, sobretudo pela performance defensiva do Chile, que terminou o torneio com a melhor defesa. Além disso, Baeza foi titular incontestável no Torneio de Toulon de 2014. O atleta é muito forte nas disputas de bolas, sendo um bom ladrão de bolas. Baeza também é importante nas coberturas, tendo pique para fechar as laterais com muita vitalidade. O volante também contribui no jogo ofensivo com seus passes longos, visando sempre as jogadas em profundidade nas laterais. Baeza também possui um controle de bola muito bom, permitindo com que ele cadencie o jogo e opte pelas jogadas mais inteligentes. Normalmente, ele se sente mais confiante como segundo volante, justamente pela capacidade de ir de “área-a-área”, mas, assim como Campuzano, o chileno também pode ser o primeiro volante quando a equipe atua com uma linha de quatro meias a sua frente. O único ponto que Claudio Baeza precisa melhorar é a disciplina.

Foto: Divulgação

 

  • Bruno Méndez (zagueiro e lateral-direito, 19 anos, Montevideo Wanderers-URU)

Uma joia. Todo jogador uruguaio é raçudo por natureza, mas aliar a força de vontade com precisão técnica é algo para poucos. E mesmo com tão pouca idade, Bruno Méndez, zagueiro e lateral-direito do Montevideo Wanderers, já é um jogador selecionável. Óscar Tabárez o convocou para os amistosos internacionais do Uruguai contra Brasil e França, tendo sido titular na primeira partida e atuado muito bem. Méndez é considerado baixinho para atuar como zagueiro – ele mede 1,78m -, porém, a força de marcação e precisão nos desarmes lhe transforma num zagueiro insuportável de se enfrentar, além de sempre estar bem posicionado. Méndez também pode atuar como lateral-direito, justamente pela altura e agilidade para sair jogando. O defensor, que foi capitão da seleção uruguaia sub-20, está concorrendo ao prêmio de revelação da temporada ao lado de Leonardo Fernández, que você viu na primeira parte dessa lista de 2018.

 

  • Leonardo Gil (meia-central, 27 anos, Rosario Central-ARG)

Sabe aquela famigerada frase “tem jogador que arruma a equipe”? Pois bem, Leonardo Gil é um desses casos. Apesar da idade avançada em relação aos jogadores que aparecem na lista, o camisa 5 do Rosario Central é terrivelmente subestimado. Gil está facilmente entre os dez melhores meias da Superliga, porque além de ser taticamente impecável em sua função (marca e desarma muito bem), ele decide jogos com suas cobranças de faltas. Estatisticamente falando, Leonardo Gil é um monstro. Nos principais sites de scout, o camisa 5 sempre figura no Top 5 das melhores médias, comumente desbancando jogadores renomados das equipes mais famosas. Na atual temporada, Gil já tem três assistências para gol e um gol de falta. Em 14 jogos disputados, o argentino figura entre os cinco melhores passadores da competição, tendo aproveitamento de 79%,. Na temporada passada, Gil terminou a Superliga com sete assistências, sendo quatro a menos que Christian Pavón, do campeão Boca Juniors. O aproveitamento em 2017/18 foi de 75%. E ainda assim pouco é falado sobre ele. É difícil achar jogadores que batem na bola tão bem quanto Gil, seja diretamente ou em lançamentos para os atacantes. Gil também é um atleta incrivelmente regular e consistente, podendo ir do “leme ao pontal” com muita facilidade. O meia argentino raramente toma cartões e quase nunca se machuca. O atleta de 1,76m já passou por Estudiantes, Talleres e está há três anos no Rosario.

 

  • Stiven Plaza (centroavante, 19 anos, Independiente del Valle-EQU)

Concorrente a revelação do campeonato equatoriano de 2018. Forte, rápido e com faro de gol, essas são as principais qualidades de Stiven Plaza, a mais nova joia do Independiente del Valle. O jovem equatoriano explodiu na Libertadores Sub-20 desse ano, onde terminou como artilheiro da competição com sete gols marcados (o vice-artilheiro foi Nahuel Bustos, que estava na primeira parte). Plaza levou o Del Valle à final, que foi vencida pelo Nacional-URU. Após o estrondoso sucesso no primeiro semestre, o garoto de 19 anos foi promovido aos profissionais, tendo atuado como titular em 14 partidas das 26 que fora relacionado. Como profissional, Plaza fez sete gols com as cores do Independiente del Valle no campeonato equatoriano. Curiosamente, ele é parceiro de seleção de base de Jackson Porozo, zagueiro santista da equipe sub-20.

 

  • Álvaro Montero (goleiro, 23 anos, Tolima-COL)

Cotadíssimo para ser o futuro titular da seleção colombiana. Curiosamente, o arqueiro do Tolima foi revelado aqui no Brasil pelo São Caetano, em 2015. Portanto, aquela velha máxima de que ele “não entende a língua” já cai por terra. Montero, atualmente, é a terceira opção para goleiro da Colômbia, atrás de Ospina e Vargas. O prestígio que o gigante de 1,95m ganhou veio após a excelente temporada no Apertura desse ano, quando foi campeão com o Tolima contra o grande Atlético Nacional. O campeonato foi decidido nos pênaltis e Montero pegou duas penalidades dentro da casa do adversário. No entanto, apesar da atuação de gala na decisão, o goleiro colombiano se destacou durante toda a competição, entre saídas rápidas do gol e pontes milagrosas contra equipes grandes como Independiente Medellín e Millonarios. Mesmo sendo jovem, Montero é muito participativo e responsável dentro de campo. É muito comum vê-lo falando com os zagueiros e cobrando os companheiros. Além disso, ele é famoso por crescer em jogos grandes.

 

  • Allan Cruz (volante ou meia-central, 22 anos, Herediano-CRC)

Peço permissão para fazer uma exceção nessa lista. Allan Cruz não atua na América do Sul, apesar de ser latino. O “Kanté Tico” é cotado para ser o principal nome da Costa Rica nos próximos anos. O conterrâneo de Bryan Ruíz é altamente elogiado pelos locais devido as suas grandes partidas com a camisa da seleção dos Ticos. Cruz é muito forte, apesar de ter apenas 1,64m de altura. O costarriquenho também é muito rápido, por isso o apelido de “Kanté Tico”, o francês do Chelsea que consegue cobrir todo o campo. Cruz recebeu nessa temporada sua primeira convocação das seis participações para a seleção principal, onde chegou a marcar um gol de cabeça contra o México recentemente. Algumas equipes tradicionais da América Latina já monitoram os passos de Cruz, especificamente o Atlético Nacional, que pode perder Jorman Campuzano. Times mexicanos também seguem o costarriquenho, que além de forte e rápido, também é bom passador e gosta de aparecer como elemento surpresa dentro da área. O valor de transferência de Allan Cruz é meramente simbólico.

Foto: Zimbio

 

  • Ignácio Jeraldino (centroavante, 22 anos, Audax Italiano-CHI)

Centroavante moderno e inteligente. Ignácio Jeraldino sempre se destacou nas camadas inferiores da seleção chilena por sua movimentação tática, apesar de ser centroavante de referência. Jeraldino, inclusive, teve passagem de destaque pela base do Parma antes do clube falir. O chileno voltou para sua terra natal para defender as cores do Unión San Felipe, equipe que o revelou e que ainda é a dona de seu passe. Jeraldino tem 1,82m de altura, mas como dito antes, pode atuar fora da grande área. Na temporada, o centroavante marcou 12 gols em 47 jogos. Todavia, o camisa 20 se destacou pelas assistências também, sendo quatro diretamente para gol. O Audax atua com dois atacantes, sendo Jeraldino e o brasileiro Sergio Santos, que é o artilheiro da equipe. Como o brasileiro não é tão versátil e inteligente nas movimentações, Jeraldino tem a responsabilidade de fazer o trabalho sujo. A boas atuações do chileno chamaram a atenção de Reinaldo Rueda, que o convocou para a seleção principal nessa temporada em duas ocasiões (amistosos contra Peru e Coréia do Sul). Jeraldino é muito bom cabeceador e tem posicionamento impecável. Além disso, o chileno sabe fazer muito bem o pivô e tem bom domínio de bola, sendo posicionado na lateral das jogadas para servir de referência para lançamentos, enquanto outro jogador invade a pequena área. Há rumores de que o Colo-Colo estaria interessado na contratação do centroavante.

 

  • Marcos Lliuya (meia central ou meia-ofensivo, 26 anos, Sport Huancayo-PER)

O futebol peruano tem evoluído muito ao longo dos últimos anos, sobretudo pela chegada de Ricardo Gareca no comando da seleção, que acabou trazendo uma áurea de competência para o país. Após boa participação na Copa da Rússia, em 2018, ficou claro que existe material humano para ser trabalhado por lá. Um dos nomes mais interessantes é o de Marcos Lliuya. Ele, definitivamente, é o jogador mais habilidoso do campeonato local. O camisa 19 do Sport Huancayo é liso como quiabo e criativo como poucos no país. Lliuya também é um grande driblador, tendo o “chapéu” como a principal marca. Apesar disso tudo, o já experiente atleta de 26 anos ainda não conseguiu conquistar Gareca por uma vaga na seleção. A competição por um lugar é bastante complicada, pois até o próprio Cueva demorou a chegar lá. Aliás, Lliuya é muito parecido com o ex-são-paulino no estilo de jogo. O armador terminou o campeonato peruano com 12 assistências em 42 jogos no ano (foi o terceiro melhor nesse quesito). Além disso, o peruano foi muito bem na Sul-americana, ajudando o Huancayo a chegar até a segunda fase da competição. Ele deixou duas assistências, sendo uma a menos que Renan Lodi, Léo Valencia e Pablo, que tem três e lideram no quesito. Voltando ao campeonato peruano, Lliuya é um dos passadores com maior eficácia na liga, com 82% e 17 grandes chances criadas. O baixinho de 1,68m é muito profissional e raramente fica machucado.

 

  • Rodrigo Fernández (meia central, 22 anos, Danubio-URU)

Mais um “5” muito bom oriundo do futebol charrúa. Revelado e criado pelo Danubio, Rodrigo Fernández é um volante de muita intensidade e trabalho, que não se importa em carregar o piano para que os companheiros brilhem. O uruguaio de 1,72m sempre procura dar prosseguimento as jogadas, sobretudo quando ele rouba a bola. A grande especialidade de Fernández é o desarme, e que muitas vezes ele próprio sai jogando e armando a equipe de trás após retomar a posse. Apesar de ter características defensivas marcantes,  o motorzinho do Danubio participa das jogadas ofensivas, geralmente com alguma assistência para a coleção. Fernández também é excelente nas coberturas dos laterais e pontas, independente do lado, mostrando o quanto ele é inteligente na leitura de jogo.

 

  • Fabrício Angileri (lateral-esquerdo, 24 anos, Godoy Cruz-ARG)

O Godoy Cruz é uma das equipes mais organizadas do futebol argentino e, mesmo com pouquíssimo dinheiro, consegue montar elencos coesos e compactos, figurando na primeira parte da tabela nos últimos torneios. Um dos jogadores mais regulares do Tomba é Fabrício Angileri, lateral-esquerdo de 24 anos, que foi revelado pelo próprio clube. Titular desde 2015, quando tinha 21 anos, o ala argentino também pode atuar no meio-campo. Angileri tem como principal característica o cruzamento, servindo de massiva importância para o plano tático do Godoy Cruz, que é uma equipe muito vertical. Falando de tática, o defensor se destaca pelo QI de futebol. Angileri participa muito bem de quase todas as jogadas, sejam elas defensivas ou ofensivas. O lateral argentino também é muito forte no jogo aéreo, ajudando bastante na recomposição defensiva, já que possui 1,82m de altura. A regularidade já mencionada é um fator que torna Angileri uma contratação certeira, especialmente pela influência que Dodô teve no elenco santista em 2018. O brasileiro participou de quase todos os jogos do Peixe na temporada, tal qual o argentino faz no Godoy Cruz.

 

  • Benjamín Kuscevic (zagueiro, 22 anos, Universidad Católica-CHI)

Na primeira parte da lista você conheceu Tomás Astaburuaga, zagueiro do Antofagasta, que chocou o Chile com sua habilidade. Na segunda parte você vai conhecer Benjamín Kuscevic, zagueiro campeão com a Universidad Católica. Filho de croatas, o zagueiro dos Cruzados é o futuro parceiro de Astaburuaga na zaga chilena, que prepara uma nova fornada de jogadores talentosos para competir em Copas do Mundo. A diferença de Kuscevic para o zagueiro do Antofagasta é simples: o atual campeão chileno não é polivalente como o primeiro. Com 1,85m de altura e apenas 22 anos de idade, Kuscevic se destaca no futebol dos Andes pela segurança com que atua com a camisa da Universidad Católica. Além da imposição física, o chileno-croata é muito rápido e muito forte no jogo aéreo, tornando-se numa máquina de combate pela bola. Kuscevic raramente falha, e quando comete algum erro ele se recupera rapidamente. Não é a toa que a federação croata assedia o jogador, que recebeu sua primeira oportunidade com Reinaldo Rueda nesse semestre. Kuscevic, inclusive, não é novidade para os europeus, pois o jovem zagueiro já passou pelas categorias de base do Real Madrid entre 2014 e 2015 após ter participado do Sul-americano Sub-17 em 2013.

Foto: Redgol

 

  • Federico Martínez (meia ou extremo, 22 anos, Liverpool-URU)

O clube que revelou Carlos Sánchez segue produzindo jogadores de qualidade técnica invejável. O mais novo nome é o de Federico Martínez, 22 anos, meia-esquerda ou ponta-esquerda dos Negriazules. Martínez é rápido, driblador, criativo e muito técnico. A capacidade inventiva do uruguaio é maravilhosa, sendo o principal responsável pela criação de jogadas do Liverpool. A importância do jovem é tamanha, que ele foi titular em todos os jogos do Clausura, onde deixou quatro gols e 10 assistências. Martínez, que é destro, também atua pela ponta-esquerda, mais adiantado do que de costume, especialmente pelo drible desconcertante. Dependendo da situação, o uruguaio também pode atuar como enganche, porém, ele fica mais restrito e menos inventivo, apesar de ter boa finalização. Ele é um jogador que carrega muito bem a bola, portanto, atuar pelos flancos é mais efetivo do que na faixa central do gramado. Na semana passada, após o término do Clausura, a federação uruguaia liberou o “time do campeonato” e Martínez ficou entre os reservas da equipe ideal do torneio. Leonardo Fernández e Christian Oliva, da primeira parte, estavam entre os titulares, assim como Mathias Suárez, da segunda lista, de 2017, que ocupa a lateral-direita do time dos sonhos.

 

  • Yeison Guzmán (meia, 20 anos, Envigado-COL)

O clube que revelou James Rodríguez está preparando mais uma promessa para estourar no futebol internacional. Trata-se de Yeison Guzmán, que começou a carreira como atacante, mas que foi recuado para o meio-campo devido ao porte físico. Apesar de ser miúdo, Guzmán é incrivelmente habilidoso, daqueles que driblam no espaço de um guardanapo. A leitura de jogo deste “pibe” é impressionante, sendo o principal armador da jovem equipe do Envigado. No Apertura de 2018, Guzmán atuou como titular em 13 das 18 partidas do clube, anotando três gols e dando quatro assistências. No Clausura desse ano, foram 11 jogos como titular das 16 participações, marcando novamente três gols e dando quatro assistências. O aproveitamento nos passes foi de 80% e nos dribles de 81%. Em 2017, ano em que ele debutou como profissional, foram oito jogos como titular em 10 partidas. Guzmán atua com mais leveza quando fica atrás de dois atacantes, de preferência com características distintas (um pivô e um de velocidade). Foi ele quem consagrou Duván Vergara, que teve seu nome ventilado na metade desse ano no Santos. Guzmán é altamente criativo, porém, não é muito combativo. A estrutura da equipe é essencial, pois o Envigado atua com três volantes, sendo um marcador e dois de saída, formando praticamente um losango, que permite liberdade ao meia para flutuar no setor ofensivo, seja caindo pelas beiradas ou pisando na grande área. Atuando livre, o colombiano é fatal, podendo decidir partidas contra equipes grandes em apenas uma jogada. O valor de mercado de Guzmán é relativamente baixo, justamente pela filosofia da equipe, que serve de incubadora para as promessas do país.

 

  • Brayan Angulo (centroavante, 23 anos, Emelec-EQU)

Você se lembra de Jhon Cifuentes? O nome do centroavante de 27 anos já apareceu por aqui. Pois bem, ele continua fazendo muitos gols pela Universidad Católica do Equador, porém, agora ele tem um rival a altura. Esse rival é Brayan Angulo, que fez parceira com outro equatoriano que já ficou por aqui, o querido Ayrton Preciado, que foi comprado pelo Santos Laguna no meio do ano. Angulo e Preciado faziam uma dupla elétrica no Emelec (desculpa, não podia perder o trocadilho). Ambos são jogadores velozes e fortes, porém, Angulo é mais finalizador. Dotado de um chute forte com a perna direita, o centroavante de 23 anos fez incríveis 53 gols em 124 partidas com a camisa celeste do Emelec. Titular incontestável desde 2016, Angulo terminou como artilheiro do Clausura com 14 gols em 2018. No Apertura, ele perdeu o posto para Cifuentes, que fez 24 gols (e ele fez 13). A diferença entre eles é basicamente a questão técnica. Angulo é mais habilidoso e participativo, tendo 20 assistências em 124 jogos com o Emelec. Nessa temporada, o equatoriano terminou com sete passes pra gol (cinco no Apertura e dois no Clausura). Angulo é ligeiramente mais alto que Cifuentes (1,82m x 1,79m) e pode atuar pelos lados do campo, sendo uma opção muito boa para equipes velozes e verticais.

Foto: API

 

  • Lisandro Martínez (zagueiro, lateral e volante, 20 anos, Defensa y Justicia-ARG)

Se você leu meu texto sobre os treinadores que seriam bons substitutos para o Cuca, então você se lembra de Sebastian Beccacece, atualmente no Defensa y Justicia. Resumidamente, o treinador argentino é um excelente observador e montador de elencos. Beccacece montou o elenco do Halcón com vários jogadores que não eram aproveitados nas equipes grandes da Argentina. Muitos deles jogadores jovens que não tinham oportunidades justamente pela falta de experiência. Esse é o caso do ótimo Lisandro Martínez, revelado no Newell’s Old Boys, mas que nunca recebera uma chance por lá. Sob a batuta do treinador cabeludo, Martínez já atuou em três posições diferentes: zagueiro pela esquerda, lateral-esquerdo e primeiro volante. Apesar da pouca altura para um defensor (1,78m), ele se destaca em praticamente tudo no que faz. Martínez é muito técnico, sabendo passar e lançar com muita precisão. Por conta disso, Beccacece já o posicionou mais a frente e ele foi bem. O treinador argentino é adepto do “tiki-taka” e, além do poder defensivo de Martínez, ele ganha em saída de bola com o zagueiro. O Defensa y Justicia protagoniza o melhor futebol da América do Sul no momento e, apesar de não ser obrigação de um zagueiro, Martínez, que também é artilheiro, é o “primeiro armador” da equipe. Atuando ao lado do igualmente incrível Alexander Barboza, que figurou na primeira lista do blog, Lisandro faz parte da segunda melhor defesa da Superliga, tendo permitido apenas oito gols em 14 jogos. O Halcón chegou a ficar quatro rodadas sem tomar gol. Na atual temporada, Martínez foi titular nas 14 partidas disputadas pelo DyJ, tendo feito três gols e dado três assistências. Além disso, o zagueiro tem aproveitamento de 79% nos passes (sendo muitos deles lançamentos), média de 3.0 de interceptações por jogo e 68% nos desarmes.

 

  • Luís Díaz (ponta-esquerda, 21 anos, Junior-COL)

O Junior de Barranquilla é uma das equipes mais jovens da Liga Águila e, apesar da falta de experiência, vai decidir o campeonato nacional contra o poderoso Independiente de Medellín. Na primeira parte da lista você conheceu o grande Victor Cantillo e o habilidoso Jarlan Barrera, sobrinho de Valderrama. No entanto, a terceira estrela ficou para a segunda parte. Trata-se de Luís Díaz, a “flecha” da equipe colombiana. Rápido, driblador e de bom passe, Díaz assinou com o Tiburón, em 2017, após se destacar na equipe do Barranquilla FC, que joga a segunda divisão. O ponta-esquerda já atuou em 42 partidas com a camisa tricolor, tendo feito 14 gols e dado quatro assistências. Combinando as duas fases da Liga Águila (Apertura e Clausura), Díaz anotou 12 tentos. Além disso, o colombiano tem eficiência de 84% nos passes e 55% nos dribles. Apesar de ser destro, ele gosta de atuar pelo lado esquerdo justamente pela oportunidade de infiltração na grande área, muito por conta dos lançamentos de Cantillo e Barrera, que geralmente são precisos. No mano-a-mano, Díaz é fatal, sobretudo quando coloca a bola na frente. O colombiano de 1,80m é esguio e protege muito bem a bola.

 

  • Lorenzo Faravelli (meia-central, 25 anos, Gimnasia y Esgrima-ARG)

Possivelmente o grande patinho feio da lista. No entanto, quem disse que isso é ruim? Lorenzo “Lolo” Faravelli é incrivelmente subestimado na Argentina, um campeonato de grandes meio-campistas. Atuando na função de “terceiro homem”, Faravelli é um verdadeiro leão dentro de campo, apesar da baixa estatura (1,71m). O argentino faz muito bem a função do “área-a-área”, sendo um ótimo ladrão de bolas e muito bom finalizador de jogadas, sempre aparecendo como elemento surpresa dentro da área. Faravelli, inclusive, fez o gol de empate do Lobo na semifinal da Copa da Argentina contra o River Plate, que conquistou a vaga para a final nos pênaltis. O momento de gloria do “patinho feio” coroa uma sequência de temporadas muito forte do camisa 8. Nos 10 jogos feitos com a camisa do time de La Plata no campeonato argentino, o meia deixou um gol e uma assistência, mesmo estando limitado fisicamente.  Na temporada passada, a de 2017/18, Faravelli foi um dos principais criadores de jogadas da Superliga, com média de 2.8 de chances claras por partida. Além disso, ele foi titular em 24 das 26 partidas, anotando quatro gols e quatro assistências. O meia do Gimnasia é muito difícil de ser marcado, especialmente por ser imprevisível. Ele ajuda na marcação e chega com muita força no ataque. Tem bom passe e fôlego para jogar em qualquer lugar do gramado. Com a camisa do Lobo, Faravelli entrou 77 vezes em campo, tendo feito 10 gols e oito assistências.

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