Volante Victor Cantillo, de 25 anos, do Junior-CO (EFE/Leonardo Muñoz)

Lista de jogadores no mercado sul-americano – Parte 1

Vocês pediram, então toma! A tradicional lista de jogadores sul-americanos está de volta. Nessa primeira parte você conhecerá 20 jogadores, portanto, respire fundo se algum jogador que você conhece não estiver aqui, porque ele pode estar na segunda, que sairá em breve.

Leia também as outras listas: lista 1, lista 2, lista 3, lista 4 e lista 5.

 

  • Victor Cantillo (25 anos, volante, Junior-COL)

Um dos jogadores mais técnicos do futebol sul-americano. Revelado no Atlético Nacional, em 2013, Cantillo não recebeu muitas oportunidades na equipe principal do time que se tornaria campeão da Libertadores três anos depois. Devido a grande concorrência no setor, o volante foi emprestado ao Leones (equipe que sempre recebe as promessas do Nacional), onde se destacou e foi comprado pelo Deportivo Pasto, em 2016. Foi necessária apenas uma temporada de sucesso na “equipe vulcânica” para fazer o Junior pagar 2 milhões de dólares pela sua contratação. Em duas temporadas com a camisa tricolor, Cantillo liderou a equipe em duas Copas Sul-americanas, tendo chegado a semifinal contra o Flamengo no ano passado e estar a mercê de sua primeira final internacional neste ano. O desempenho do volante tem sido tão grande que ele ganhou uma chance na seleção colombiana com José Pekérman antes da última convocação para a Copa do Mundo. Infelizmente, ele não teve muito tempo para se provar e acabou não indo para a Copa. Cantillo é um volante de grande qualidade técnica, tendo o passe como principal característica. Seus números são absurdos, sendo 90% de eficácia nos passes, a maior entre os jogadores de meio/ataque na Sul-americana. No ano passado foi 92%. Ele também tem 94% de eficácia nos dribles e 71% nos desarmes. Cantillo não é um jogador de fazer gols e muito menos é aquele cara espalhafatoso, pois sua função é armar a equipe no setor mais crítico do campo: o segundo quarto, a saída da defesa para o meio-campo. Ele é a válvula de escape do Junior, que joga com jogadores rápidos à  frente do camisa 24, justamente para aproveitar seus passes e lançamentos precisos, tal qual um quarterback do futebol americano. A distribuição de jogo feita por Cantillo é de causar inveja, porque parece que ele nunca erra um passe, o que facilita a vida de Jarlan Barrera, um jogador insinuante e de grande capacidade de drible. O Junior, hoje, é uma das equipes mais legais de se assistir porque tem um maestro na figura de Victor Cantillo.

foto: EFE/Leonardo Muñoz

 

  • Andrés Ricaurte (27 anos, meia, Independiente Medellín-COL)

Falando em maestro, a Colômbia vive um momento especial no setor de meio-campo. Vários volantes e meias estão chamando a atenção nessa década. Um dos meio-campistas que mais encantaram os brasileiros nos últimos anos, no entanto, não era colombiano, porém, atuava no futebol cafeteiro. Trata-se do venezuelano Alejandro Guerra, que o Santos queria, mas que acabou indo para o Palmeiras. Demorou muito para que o “Lobito” chamasse a atenção dos clubes brasileiros e o mesmo pode-se dizer de Andrés Ricaurte. Ele é exatamente igual o ex-jogador do Atlético Nacional, grande rival do DIM. O camisa 10 do Independiente é altamente técnico, podendo jogar em qualquer posição do meio-campo, sendo segundo volante, terceiro homem ou até meia-ofensivo. Ricaurte, assim como Cantillo, jogou muito no Leones e depois foi contratado por uma equipe periférica, nesse caso o Atlético Huila. Pela equipe canária, Ricaurte fez um campeonataço. Não é fácil liderar uma equipe pequena aos playoffs do campeonato colombiano. Tal qual Cantillo, o meia do DIM não é de fazer gols, mas o que ele cria de chances é algo absurdo. Ele domina a arte do passe, do lançamento e tem o famoso “drible seco”. Sua sustentação é elogiável, dando prosseguimento as jogadas ofensivas com muita categoria. Ricaurte mudou o Independiente Medellín da água para o vinho, que costumava ser uma equipe essencialmente física. Com ele, a equipe ficou mais arrojada e viu seu matador Germán Cano disparar na artilharia do campeonato. É o cara que melhora qualquer equipe.

 

  • Nahuel Bustos (20 anos, atacante, Talleres-ARG)

Um verdadeiro diamante bruto. A fábrica argentina de atacantes segue produzindo modelos de qualidade de vento em popa. Bustos foi o principal nome do Talleres na surpreendente conquista da Superliga de Reservas (como se fosse o Brasileirão de Aspirantes) na temporada 2016/17. Ele foi alçado a equipe principal após ter marcado 23 gols pela equipe de Córdoba na campanha do título. Ele começou a fazer parte da equipe principal no segundo semestre de 2017 e virou titular na segunda metade de 2018. Bustos pode jogar em qualquer posição do ataque, mas sua especialidade é ser centroavante. Ele tem faro de gol, técnica e força física. A joia tem um “quê” de Mauro Icardi no começo da carreira na Sampdoria, especialmente por sua leitura de jogo. Bustos tem explosão, visão e técnica para finalizar jogadas difíceis. O atacante protagonizou uma pérola no clássico com o Belgrano ao receber uma bola no campo de defesa e arrancar por 65 metros e fuzilar o ângulo do goleiro num tiro de fora da área. Bustos não é preciosista e também faz “gols feios”, tal qual um de joelho contra o Vélez logo após a Copa do Mundo. O futuro do argentino é a Europa, mas ainda dá tempo para contrata-lo antes que um Benfica se encante completamente por ele.

Foto: Talleres

 

  • Tomás Chancalay (19 anos, atacante, Colón-ARG)

Outro espécime de grande qualidade e que muito provavelmente vai migrar para uma equipe grande logo. Chancalay faz parte de uma das equipes mais bem montadas da América do Sul no momento. O Colón, sob o comando de Eduardo Domínguez, era uma equipe forte na defesa e rápida no contra-ataque, especialmente pela velocidade dos extremos. Um desses jogadores é o jovem Tomás Chancalay, que recebeu sua primeira oportunidade com Domínguez em 2017. Na base ele era um segundo atacante de muita técnica e com boa finalização, porém, quando alçado para a equipe principal, Chancalay foi bastante utilizado como extremo-esquerdo no clássico 4-2-3-1 de Domínguez.  O jovem atacante não teve problemas em se adaptar a função porque possui muita velocidade e rapidez de raciocínio. No entanto, quando a equipe atua no 4-4-2, Chancalay volta para sua posição original, ficando mais perto do gol e deixando de ser assistente para virar finalizador. Por ter uma leitura de jogo muito boa, a joia Sabalera costuma fazer gols onde ele ataca o famoso “ponto futuro”, geralmente entre os zagueiros. Chancalay é destro e tem 1,79m de altura.

 

  • Eduard Bello (23 anos, ponta-esquerda, Antofagasta-CHI)

Se você não é lá muito ligado em futebol sul-americano, a chance de você ter ouvido falar sobre o Antofagasta é quase zero. A equipe em questão tornou-se uma nova potência no futebol chileno, especialmente pela captação de jogadores jovens para a equipe principal. E o principal nome dessa equipe é o venezuelano Eduard Bello, uma das maiores sensações da seleção Vinotinto ao lado de Yeferson Soteldo, que vocês conheceram aqui. Bello é um ponta-esquerda que chuta com o pé direito, o que significa que ele é uma ameaça constante para os adversários. Além de ajudar na criação das jogadas, especialmente nas de bola parada, sendo responsável pelas cobranças de faltas e escanteios, ele tem uma ótima finalização, seja dentro da área (na infiltração) ou de média distância (quando parte com a bola dominada e em progressão pelo flanco esquerdo). Bello é um jogador fisicamente forte e veloz. Ele não é o arquétipo do ponta brasileiro, que dribla mais e chama faltas.

 

  • Tomás Astaburuaga (22 anos, zagueiro, Antofagasta-CHI)

Se Bello é o principal nome pelas jogadas ofensivas e vitórias que garante ao Antofagasta, Tomás Astaburuaga é o general da melhor defesa do futebol chileno. O zagueiro é destro e tem 1,85m de altura. Ele não é alto, porém, isso não impede que ele seja efetivo em jogadas aéreas, tanto para defender quanto para atacar. Além disso, Astaburuaga é um defensor muito técnico, tendo um bom passe e bons lançamentos. Ele, inclusive, pode até jogar de volante, dependendo da situação. O chileno é muito rápido nos desarmes e firme na marcação, tornando-o num enorme empecilho para os atacantes, especialmente para centroavantes de pouca mobilidade.

 

  • Christian Oliva (22 anos, volante, Nacional-URU)

Esse uruguaio não é surpresa para o torcedor santista, que o viu em ação na fase de grupos da Libertadores, contra o Peixe, em 2018. Pois bem, ele é uma das melhores opções para o meio-campo na América do Sul. Oliva é um volante de muita força física na marcação, de bom passe e ótimo chute de média distância. Ele é um genuíno camisa 5, completamente diferente do atual dono dessa numeração no Santos, que tem sérios problemas com a bola. Oliva é o pilar que sustenta o Nacional, que é uma equipe estritamente física, mas que depende de jogadas rápidas, como um contra-ataque bem montado e de preferência rápido. Oliva é capaz de fazer isso sem dificuldades devido a vitalidade impressionante que possui. Ele marca e ataca com a mesma efetividade. O uruguaio é o famoso “todocampista” que faz sucesso na Europa.

 

  • Leonardo Fernández (20 anos, meia, Fénix-URU)

Uma joia. Um diamante bruto. Um projeto de craque. Leo Fernández é o camisa 10 que todo mundo quer em seu elenco. Jovem, rápido, driblador e criativo. Ele se assemelha muito ao estilo de jogo de Pity Martínez, do River Plate, apesar de ser comparado a Giorgian De Arrascaeta, do Cruzeiro. O menino do Fénix, de apenas 1,66m, estreou como profissional em 2016, um ano após ter participado do Sul-americano sub-17 com a Celeste. Em dois anos como titular incontestável, mesmo com pouca idade, Fernández já coleciona 62 partidas e 13 gols com a camisa albivioleta. Sua principal qualidade é o drible. Com isso, ele tem facilidade para quebrar a linha defensiva ou a linha de quatro no meio-campo, além de enxergar os espaços estreitos na defesa adversária. Fernández gosta de jogar atrás do centroavante, como um clássico camisa 10 uruguaio, que pisa na grande área e finaliza sempre com um chute cruzado.

 

  • Ivan Franco (18 anos, meia-atacante, Libertad-PAR)

Muitos jornais paraguaios já estão apontando esse garoto de 18 anos como a grande salvação do futebol guarani. Ivan Franco tem apenas 18 anos, ou seja, ele nasceu depois do “Bug do Milênio”. No entanto, em seu primeiro ano como profissional, o meia causou um verdadeiro “bug” no futebol local. Por enquanto, Franco atuou 35 vezes com a camiseta do Libertad e marcou 6 gols, sendo um no clássico contra o Olimpia. Além disso, o paraguaio assumiu a responsabilidade de liderar uma equipe que conta com nada mais nada menos com Óscar “Tacuara” Cardozo. Um dos maiores ídolos da história do futebol paraguaio está sendo ofuscado pela magia desse menino. Chamado de “Ivan, o Terrível” (homenagem ao príncipe russo, que conquistou vários territórios e transformou a Rússia no país continental que é hoje) a joia da equipe Cebollera, fisicamente falando, não é nada terrível. Franco tem apenas 1,65m e um cabelo grande e enrolado, bem ao estilo Aimar. Aliás, o paraguaio tem mais coisas em comum com “El Payasso” do que o penteado sugere. Tal qual o argentino, Franco é um meia-ofensivo, driblador, incisivo e criativo, sendo capaz de decidir jogos complicados em uma jogada. O paraguaio também pode atuar como segundo atacante, especialmente quando o objetivo é jogar no contra-ataque.

Foto: Última Hora

 

  • Lucas Robertone (21 anos, meia, Vélez Sarsfield-ARG)

É impressionante como revela ótimos valores a equipe do Vélez Sarsfield. Uma das principais apostas da equipe atende pelo nome de Lucas Robertone. Um legítimo camisa 8 que o folclore futebolístico argentino tanto exalta, apesar do jogador utilizar o número 16 nas costas. O meia de 21 anos atua como terceiro homem no 4-3-3 posicionado no lado direito. Se o esquema tático for o 4-2-3-1, Robertone atua com mais liberdade ficando à frente de dois volantes e próximo ao centroavante. Caso o treinador opte por montar uma equipe extremamente ousada, Robertone pode ser recuado para segundo volante para auxiliar na saída de bola. O argentino, além de muito técnico, também é muito tático. Fora a versatilidade no meio-campo, Robertone costuma deixar seus golzinhos, sobretudo em partidas truncadas. Esse artifício dá-se pelo fator surpresa que ele cria, sempre aparecendo livre em algum canto da grande área. Além disso, ele ajuda muito na criação das jogadas com seus lançamentos precisos. Defensivamente, o argentino contribui bastante com seus desarmes e posicionamento.

 

  • Juan Komar (22 anos, zagueiro, Talleres-ARG)

Cria do Boca, Komar saiu muito cedo da equipe xeneize por conta da ambição do clube por jogadores mais tarimbados. Com 1,90m de altura, imagina-se que ele seja lento e com cintura dura, certo? Não é bem assim. Komar é rápido, forte e com boa saída de bola, podendo atuar até como lateral-direito. O zagueiro é titular da equipe desde sua chegada em 2016 por empréstimo. Pelo Talleres, Komar já fez 60 partidas e coleciona estatísticas impressionantes. Na atual temporada da Superliga, por exemplo, o defensor tem 78% de eficácia nos passes, 80% de eficácia nos desarmes, além de já ter realizado 7.3 cortes nos primeiros sete jogos. A regularidade de Komar é incrível, pois os números foram idênticos na temporada passada com 19 partidas realizadas.

 

  • Wuilker Faríñez (20 anos, goleiro, Millonarios-COL)

Existe um burburinho de que o Santos pode perder Vanderlei no final da temporada. Caso isso aconteça, um dos nomes mais famosos e quentes do momento para essa posição no continente é do venezuelano Wilker Faríñez, do Millonarios-COL. Apesar da baixa estatura para goleiro nesses tempos modernos (1,81m), o “homem borracha” compensa pela incrível agilidade debaixo das traves e pelo posicionamento impecável no jogo aéreo. Faríñez também chama a atenção pela qualidade com os pés, atuando muitas vezes como “goleiro linha” quando sua equipe está com a posse de bola. O goleiro venezuelano é famoso pela personalidade forte e a notoriedade começou no Sul-americano sub-20, no ano passado, quando a seleção Vinotinto conquistou a honrosa e histórica terceira posição. No mesmo ano, Faríñez foi peça-chave no Mundial sub-20, quando a Venezuela chegou à final contra a Inglaterra. No entanto, na semifinal contra o Uruguai, o goleiro brilhou ao pegar dois pênaltis que garantiram a façanha de uma geração competente. Faríñez chegou ao Millonarios em 2018 diretamente para ser titular, tendo conquistado a Supercopa da Colômbia, contra o Atlético Nacional, no meio do ano.

Foto: Caraota Digital

 

  • Luís Mago (24 anos, lateral-esquerdo, Carabobo-VEN)

O nome sugere uma áurea mística sob o atleta, porém, não existe nada de misterioso no futebol de Luís Mago. O lateral venezuelano é uma verdadeira turbina pelo lado esquerdo, sendo uma grande ameaça em jogadas ofensivas. Mago é rápido, bom chutador e cruzador. Por ser muito forte no apoio, o venezuelano pode jogar como ala também. Sua pequena deficiência é a disciplina, porque ele costuma tomar cartões bobos. No entanto, no futebol local, com a camisa do Carabobo, ninguém é melhor do que ele. E já passou do momento de Mago alçar vôos maiores, especialmente pelo momento vivido com a seleção. O lateral-esquerdo virou carta marcada nas últimas convocações de Rafael Dudamel, inclusive, marcando gol.

 

  • Nícolas Fernández (22 anos, atacante, Defensa y Justicia-ARG)

Um dos jogadores mais decisivos e inteligentes da Superliga. Nico Fernández é a primadona do igualmente incrível Sebástian Beccacece, treinador do Defensa y Justicia, que sabe utilizar o atacante com maestria. Fernández começou a carreira como segundo atacante, especialmente pela altura (1,72m), mas, devido a ótima finalização, “La Uvita” foi adiantado para o comando do ataque. No entanto, ele não atua como o clássico “camisa 9”, justamente por não ter corpo para isso. Todavia, o centroavante argentino marca muitos gols por conta da movimentação e troca de posição com Ciro Rius e Gastón Togni, que atuam como extremos no esquema 4-3-3 de Beccacece. Leonel Miranda, que você já o viu por aqui, é importantíssimo para o sucesso do atacante. O camisa 10 é um exímio passador, especialmente nas esticadas nas costas dos zagueiros, onde Fernández explora os espaços deixados atrás. La Uvita, além do faro de gol, também é um jogador muito veloz e fatal no um contra um. Por atuar numa equipe taticamente impecável, Fernández adquiriu uma leitura de jogo muito boa, podendo atuar na ponta com a mesma eficiência que tem na grande área. Em 36 jogos com a camisa do Halcón foram 15 gols e três assistências.

 

  • Facundo Barceló (24 anos, centroavante, Patronato-ARG)

Ao contrário de Fernández, Facundo Barceló já é um clássico camisa 9. O uruguaio tem força física, ótimo posicionamento dentro da área e bom cabeceio. Revelado no mesmo time de Carlos Sánchez, o Liverpool de Montevidéu, Barceló não é um centroavante técnico como Fred, por exemplo. O uruguaio está mais para o estilo de jogo de Ramón Ábila e Julio Furch. Dificilmente você verá Barceló fora da grande área e muito menos arriscando uma jogada individual. O habitat natural do centroavante uruguaio é na zona perigosa, pois ele gosta do contato com o zagueiro. Por ser muito forte, Barceló é muito bom no pivô. Ele também se desvencilha da marcação com facilidade, fazendo com que finalize quase sempre sozinho ou num ponto livre dentro da área. Desde 2016 no modesto Patronato, o uruguaio é bastante querido em Entre Ríos por ser decisivo (ele tem fama de sempre marcar gols contra equipes grandes ou em situações de perigo na tabela). O Patronato, aliás, é uma equipe com pouquíssima qualidade técnica, mas que briga muito na Superliga e desde a chegada de Barceló nunca caiu para a segunda divisão. A semelhança com Julio Furch, que veste a camisa do Santos Laguna, fez com que o uruguaio atraísse olhares de clubes grandes do México, como Pachuca e Pumas. Muito provavelmente ele não ficará no Patronato para 2019, especialmente pelo começo avassalador nessa temporada da Superliga, onde tem seis gols em oito jogos disputadores. Ao todo, são 16 gols em 49 jogos. Considerando que “El Patrón” é uma equipe pequena e muito defensiva, Barceló faz o que pode dentro das limitações. Tal qual Furch, que virou um grande centroavante no México, o uruguaio tem totais condições de crescer em uma equipe mais técnica e criativa.

 

  • Ake Loba (20 anos, atacante, Universidad San Martín-PER)

Não sei se vocês perceberam, mas o título dessa publicação é diferente das demais. Essa alteração foi minuciosamente preparada justamente por conta de dois marfinenses que estão arrasando no mercado sul-americano. Ambos atuam no Peru (?!) e tem o passe vinculado ao Tigres-MEX. Se não bastassem essas duas características curiosas, o primeiro listado tem um nome engraçado e provavelmente causaria furor aqui no Brasil. Ake Loba é atacante, que pode atuar tanto como centroavante, segundo ou até ponta. Ele é veloz, driblador e ótimo finalizador. Em 30 partidas com a camisa do San Martín, o marfinense anotou 17 gols e chamou muito a atenção das pessoas que acompanham o futebol sul-americano com avidez. Loba chegou repassado pelo “Tigres Premier” (como se fosse o Santos B) para que desenvolvesse seu futebol num âmbito mais profissional. O atacante brilhou pela primeira vez no famoso Torneio de Toulon, onde o Brasil costuma figurar. Apesar de ter marcado apenas uma vez em quatro partidas, Loba se destacou pela velocidade e inteligência nas partidas, especialmente porque ele jogou como segundo atacante. Juntamente com seus companheiros, ele levou a Costa do Marfim à final contra a Inglaterra, onde os “Elefantes” perderam nos pênaltis. Loba é muito famoso em sua terra natal, tendo debutado como profissional aos 17 anos e, mesmo numa equipe pequena que fora rebaixada, foi elegido para os “11 da temporada”. Fã de Cristiano Ronaldo, Loba é muito ativo nas redes sociais, mostrando ser um cara bastante carismático e querido pelos peruanos. O marfinense pode crescer muito numa equipe mais preparada e com filosofia ofensiva. A versatilidade no setor de ataque aumenta a popularidade do jovem artilheiro.

Foto: Depor

 

  • Koffi Dakoi (19 anos, volante, Universidad San Martín-PER)

Ao lado de Loba, Koffi Dakoi é mais um marfinense fazendo barulho no futebol sul-americano. Dos quatro que pertencem ao Tigres, Dakoi é o único que tem o contrato mais longo. No entanto, ele foi emprestado pela mesma razão que Loba e a chance de permanecer no continente é boa. Dakoi é um volante incansável, daqueles capazes de cobrir o campo inteiro. O marfinense também é um ótimo passador, sendo efetivo nos passes curtos e longos, além de ter técnica para jogadas mais arriscadas, como uma tabela, por exemplo. Fisicamente muito forte, apesar de ter apenas 1,63m, Dakoi pode atuar como lateral-direito com muita propriedade. Além disso, Dakoi é perfeito numa equipe que joga com pontas, pois sua vitalidade permite que ele cubra os espaços deixados pelos homens de ataque. Mesmo não fazendo muitos gols, Dakoi participa das jogadas ofensivas nas triangulações e assistências diretas para finalizações. Você provavelmente já viu esse tipo de jogar nas grandes ligas. É difícil precisar se um dia ele chegará lá, mas para o cenário sudaca Dakoi é perfeito se for bem treinado. Juntamente com Loba, o volante esteve presente na equipe titular da Costa do Marfim, que chegou à final contra a Inglaterra no Torneio de Toulon.

 

  • Jarlan Barrera (23 anos, meia, Junior-COL)

Sobrinho do mítico Carlos Valderrama, Jarlan Barrera é um dos jogadores mais técnicos da Colômbia. Revelado pelo Junior de Barranquilla, o atual camisa 10 do Tiburón confirmou que não irá renovar seu contrato com a equipe, porque deseja atuar numa liga mais forte e reconhecida. Barrera, tal qual o tio, é muito temperamental e “folgado”. E isso atrapalhou demais a carreira do “Menino de Ouro”, que até hoje não foi convocado para a equipe principal da Colômbia, apesar de ter feito parte da grande geração vice-campeã do Sul-americano sub-20 de 2015, que perdeu a final para a Argentina de Gio Simeone e Angel Correa. Barrera é muito habilidoso, sendo um grande driblador e criador de jogadas. O colombiano atua tanto na faixa central do gramado, como Valderrama, quanto na ponta-direita. Jarlan é ambidestro, portanto, sabe se virar muito bem em qualquer situação. Ao lado de Cantillo, ele é a grande referência técnica do belo time do Junior, que chegou a duas semifinais de Sul-americana. Barrera tem visão de jogo e passe apurado, porém, por ser muito temperamental, ele se desliga muito fácil do jogo. O grande defeito do colombiano é justamente a falta de regularidade e a facilidade com que ele pode ser tirado do jogo. Entretanto, Jarlan melhorou nessa temporada, sendo responsável por seis gols e três assistências em 16 partidas no Clausura. Barrera não ficou de fora de nenhum jogo e viu suas estatísticas saltarem para 80% de eficácia nos passes. Ele também não ficou de fora de nenhuma partida da Sul-americana dessa temporada, tendo anotado um gol e duas assistências em quatro jogos. Comparando com 2017, onde jogou apenas uma partida de cinco jogos, o salto foi grande. Focado e com humildade, Barrera pode ser um excelente reforço para qualquer equipe sul-americana.

 

  • Matías Melluso (20 anos, lateral-esquerdo, Gimnasia La Plata-ARG)

Promovido em 2017 das camadas inferiores do Gimnasia, Matías Melluso é a mais nova promessa argentina para a lateral-esquerda. Comparado a Nicolás Tagliafico, atualmente no Ajax, o baixinho de 1,68m do Lobo é ágil, taticamente inteligente e forte no apoio. Com apenas 20 anos, Melluso demonstra muita segurança, apesar de precisar melhorar na marcação. O jovem lateral era apontado, ainda na base, como a grande joia da equipe de Facundo Sava, que o promoveu na reta final da Superliga passada. Mesmo com tão poucos jogos como profissional, Melluso sequer ficou no banco uma vez só após a promoção direta da equipe sub-20. Natural de La Plata, o canhoto é muito inteligente no apoio, especialmente porque cruza muito bem. Ao contrário da maioria dos laterais, Melluso sabe dosar o momento em que deve subir.

 

  • Jimmy Martínez (21 anos, volante, Huachipato-CHI)

O último da primeira parte da lista é uma das maiores e mais seguras apostas que existe. Jimmy Martínez é semelhante ao primeiro dessa lista, Victor Cantillo, em termos de produção e importância tática, mas que pode passar despercebido por não ser “espalhafatoso”. O chileno, de apenas 21 anos, assume todas as responsabilidades possíveis no Huachipato, de César Valenzuela, que você já viu por aqui. Os dois jogadores mantém, às vezes a duras penas, a competitividade da equipe do aço. Diferentemente de Valenzuela, que é mais lento e mais técnico, Martínez é mais forte e mais rápido do que o colega de equipe. O chileno tem o comportamento em campo muito parecido com o grande jogador do atual elenco santista: Carlos Sánchez. O que torna esses dois sudacas tão interessantes? A capacidade de fazer tudo. Eles são jogadores com técnica, mas que não são dribladores ou inventivos, eles são competitivos ao extremo. Até hoje o santista nunca viu Sánchez escondido no jogo, e o mesmo pode-se dizer de Martínez com a camisa do Huachipato. É ele quem sustenta a equipe, podendo jogar em qualquer função do meio-campo. Ele tanto pode ser o primeiro volante num 4-1-4-1 como pode ser o segundo volante num 4-2-3-1. Martínez também pode ser um meia-direita num 4-2-3-1 ou 4-3-3. O chileno subiu aos profissionais em 2016, mas virou titular na segunda metade de 2017. Sua melhor fase está sendo agora, em 2018, onde já atuou em 28 partidas (todas como titular), tendo feito dois gols e dado nove assistências. Ele foi convocado recentemente por Reinaldo Rueda para três amistosos, onde entrou duas vezes no final da partida e uma que atuou por 68 minutos. Martínez é um passador de categoria, que atua melhor em equipes com extremos de velocidade.

Foto: Octava Passión

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