Como joga Yeferson Soteldo?

Conhecido como Barney Rubble, o melhor amigo de Fred Flintstone no desenho animado, Yeferson Soteldo foi confirmado como o primeiro reforço do Santos Futebol Clube. No entanto, como joga o venezuelano? Nos próximos parágrafos vamos tentar desvendar como Jorge Sampaoli vai utiliza-lo, baseando-se no que ele já desempenhou no passado.

A melhor posição para Yeferson Soteldo é como extremo esquerdo. Foi ali que ele estourou no Huachipato e na seleção sub-20 da Venezuela. Por ser baixinho, Soteldo é mais perigoso jogando pelos flancos, justamente onde ele pode explorar a velocidade, que é a grande característica do novo contratado do Peixe. Além da velocidade, o venezuelano possui um excelente controle de bola, o que o torna numa ameaça constante, pois ele gosta muito do “combate cara-a-cara”.

Todavia, por ser mais fatal jogando pela esquerda, o baixinho também pode atuar pela direita, tal qual Derlís González fez em 2018. O paraguaio é extremo esquerdo de origem, porém, ele sabe atuar no lado oposto justamente por ser driblador (ou gambeteador, como é falado nos países sul-americanos). Ambos os gringos são efetivos pela banda direita, porém, eles se sentem melhor atuando pelo lado esquerdo.

Um artifício importante para Soteldo é que ele terminou a temporada na Universidad de Chile atuando mais pelo centro, justamente pela necessidade da equipe liderada pelo treinador argentino Frank Kudelka em dar mobilidade ao conjunto azul. Com a saída de Ángelo Araos para o Corinthians, na metade do ano passado, e com a lesão de Gustavo Lorenzetti, Soteldo foi puxado para o centro, tal como ele chegou a jogar nas categorias de base da Venezuela.

Essa foi a última formação onde Soteldo atuou livremente pelo lado esquerdo na La U.

A La U passou por grandes reformulações em 2018, especialmente quando Frank Kudelka assumiu a equipe após grande trabalho no Talleres. A equipe chilena precisa de renovação e apostou no argentino, que teve que conviver com perdas de jogadores importantes no esquema. Como dito antes, Soteldo foi “sacrificado” na função de armador principal pelo centro, sobretudo no início da adaptação. Por ter uma notável fragilidade estatural, ele precisou encontrar maneiras de se sobressair. Os dribles, no caso, foram a salvação da temporada do venezuelano na equipe chilena, que por sua vez estava bastante desmantelada.

Essa era formação mais utilizada por Frank Kudelka no comando da Universidad de Chile no segundo semestre.

Alternando entre protagonismo e partidas comuns, Soteldo atuou como titular em praticamente todos os jogos da La U no campeonato chileno em 2018. Das 26 partidas, o venezuelano jogou 23 desde o início. Como dito antes, o melhor de Soteldo vem quando ele possui liberdade para carregar a bola. Caso a equipe em que ele esteja tenha um armador com grande qualidade no passe e visão de jogo, o futebol do baixinho pode ser expandido de uma maneira incrível. Foi assim com César Valenzuela e Jimmy Martínez no Huachipato e com Ángelo Araos na Universidad de Chile.

Foi nessa formação que Yeferson Soteldo viveu seu auge no futebol chileno. Com o maestro César Valenzuela na armação, o venezuelano tinha grande liberdade para atacar pelo lado esquerdo, sobretudo quando Jimmy Martínez ganhou a posição na reta final de 2017.

Na reta final do campeonato chileno do ano passado, o futebol de Soteldo foi importante para que a La U tentasse buscar o titulo, mesmo com ano irregular do plantel, até a penúltima rodada, quando três equipes lutavam pela taça. O título ficou com a Universidad Católica, que somou quatro pontos a mais que a ex-equipe de Yeferson. O novo reforço do Santos alternou entre ponta-esquerda num 4-3-3 e armador num 4-2-3-1. Tendo Yerko Leiva e Nico Guerra, duas promessas das categorias de base da Universidad de Chile, Soteldo obteve melhores desempenhos, sobretudo pela qualidade técnica das joias citadas. Além disso, Leiva, Guerra e Soteldo são jogadores rápidos, dribladores e de condução de bola. Kudelka, o treinador, soube utiliza-los muito bem, pois os três dividiam as tarefas com muita troca de posição.

Para ter sucesso no Santos, Soteldo precisará combater o preconceito com a altura e se adaptar ao estilo de jogo mais viril do futebol brasileiro. No Chile, por ser um país que preza a velocidade e o comprometimento tático, Soteldo não encontrou problemas com o tamanho, porém, como todos sabem, o nosso futebol vive um momento técnico muito ruim, onde se preocupam mais com a força do que a técnica. Vários meio-campistas perderam vaga nas principais equipes do país para jogadores mais fortes fisicamente. Haja vista que a maioria dos clubes grandes jogam um futebol reativo, de contra-ataque e bola parada.

Yeferson Soteldo foi um pedido especial de Jorge Sampaoli, que em poucos dias já deu uma cara para esse elenco do Peixe. No amistoso contra o Corinthians, por exemplo, mesmo com um catado à disposição, foi possível ver uma equipe que não abriu mão da posse de bola e com a mentalidade “propositiva” (de criar o jogo e não ficar esperando o adversário). Os melhores momentos do venezuelano foram em equipes com esse tipo de mentalidade. De criação, do drible, da invenção. Por ter um foguete nas costas, Soteldo é importante em jogadas de triangulação, onde a troca de passes acontece para que um extremo (ou até o armador) infiltre na área adversária. E isso o novo reforço do Peixe faz muito bem. Tendo em vista que Rodrygo ficará até a metade do ano no clube, a priori, Soteldo poderia reforçar o setor de criação pela faixa central, onde há uma lacuna. Rodrygo é bem melhor pela esquerda, enquanto o venezuelano terminou a temporada atuando pela faixa central. A presença de Derlís na direita é importante, pois os três podem trocar de posição ao longo da partida, muito por conta da velocidade que possuem.

Levando em consideração as peças que Sampaoli tem a disposição (e vem treinando), essa formação seria a mais adequada ao que Soteldo está acostumado.

Entretanto, o Santos ainda não formou seu elenco e, recapitulando um pouco, vale lembrar que Soteldo pode ser uma arma bastante importante quando joga pela esquerda e há um meia mais cadenciador pelo centro. Rodrygo deverá ir para o Real Madrid na metade desse ano e parece que Bruno Henrique não deve ficar no Peixe. Nesse momento, excluindo esses dois jogadores, cairia no colo de Soteldo o “lado favorito”. Porém, a faixa central viraria uma indagação. O meia com melhor qualidade no passe, do atual elenco, é Carlos Sánchez. Sampaoli poderia montar um meio-campo com três “volantes”, dando liberdade para os extremos e centroavante. No entanto, levando em conta a predileção do treinador argentino por meias que saibam trocar passes com qualidade, a contratação de um jogador com esse estilo se faz necessária. Pablo Pérez, que é especulado no clube, poderia ajudar no nascimento da armação, na função de camisa 5, e liberando Sánchez e Pituca para chegar mais a frente. O sonho improvável de Ramires, do Bahia, poderia ser melhor ainda, pois a joia baiana é uma máquina de futebol, um “todocampista”.

Como todos sabem, o elenco do Santos está longe de ser fechado e algumas baixas ainda podem acontecer. Caso Sampaoli pense em utilizar Soteldo na esquerda, abriria uma necessidade grande de buscar um armador.

Caso Bruno Henrique não deixe a equipe, o ideal seria colocar Soteldo na faixa central como um “enganche” argentino. Com liberdade para carregar a bola e pisar na grande área, o jogador venezuelano serviria de grande valia devido a sua velocidade e drible. Para explorar o melhor do recém-contratado, o Santos precisa definir outras peças no setor mais conflituoso das últimas temporadas: o meio-campo. Na teoria, a adição de Soteldo ajudaria bastante devido a sua reconhecida qualidade técnica. Basta agora levar em consideração o elenco e a adaptação.

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