Como joga Felipe Aguilar?

Imagina um jogador extremamente respeitando num clube que defendeu desde os 11 anos de idade. O maior clube da Colômbia, que quase sempre lota o estádio com capacidade para 50 mil pessoas e que já foi campeão de tudo. Não é fácil ser ídolo no Atlético Nacional, porém, Felipe Aguilar conseguiu. Os colombianos, assim como os brasileiros, são apaixonados por futebol, no entanto, eles também são excessivamente exigentes. Sobretudo com zagueiros.

Alto, rápido e técnico. Essas são as características mais denotativas de Aguilar, que também é muito bom nos desarmes. Apesar de ter sido revelado no Nacional, o zagueiro colombiano passou por algumas temporadas emprestado ao Alianza Petrolera para ganhar experiência enquanto a dupla titular era composta por Alexis Henríquez e Oscar Murillo (Davinson Sánchez, hoje no Tottenham, também chegou a jogar). Aliás, Henríquez é o atual capitão da equipe colombiana e, antes de Aguilar ser confirmado no Peixe, o zagueiro colombiano afirmou que o parceiro de zaga tinha que aceitar a oferta santista para alçar voos maiores.

Apesar de ter figurando em apenas duas equipes antes de ser contratado, Aguilar é um zagueiro com bastante rodagem. Sempre titular, o colombiano, inclusive, esteve presente nas seleções de base, tendo participado do Sul-americano Sub-20, Mundial Sub-20 e Torneio de Toulon em 2013. Em 2016, Aguilar foi convocado para as Olimpíadas e Copa América.

A bela despedida de Felipe Aguilar do Atlético Nacional mostra o quanto ele era amado pela torcida. O defensor de 26 anos era bastante famoso pela paciência e “hombridade” (chegou a vestir a braçadeira de capitão da equipe algumas vezes). Segundo o site Transfermarkt, Aguilar nunca recebeu um cartão vermelho direto. A única expulsão do reforço santista aconteceu em decorrência de um segundo cartão amarelo quando jogava pelo Alianza Petrolera, na segunda divisão, no primeiro ano como profissional. Falando em advertências, Aguilar, em 87 partidas oficiais, levou apenas 18 cartões amarelos.

O segundo reforço da temporada foi um pedido exclusivo do técnico Jorge Sampaoli, pois Felipe possui todos os atributos que o argentino procura num defensor. “El Pibe” sempre jogou em linha de quatro, sendo o zagueiro da saída de bola. É muito comum na América Latina os treinadores formarem a dupla de zaga no estilo “policial bom e policial mau”. Um é técnico e o outro é forte. No caso do Nacional, Aguilar era o “bom” e Henríquez o “mau”.

Titular absoluto da equipe desde 2016, Aguilar teve sua melhor performance em 2018, num ano de muitas transformações da equipe. Com Henríquez “meia-bomba”, a referência defensiva caiu no colo de Aguilar.

Todavia, por ser um defensor inteligente, Aguilar pode jogar numa linha de três defensores – assunto que Sampaoli já deixou claro em coletiva que pretende implantar no Peixe. Na Colômbia, Felipe atuava pela direita, mas devido a qualidade técnica, não seria estranho vê-lo atuando como uma espécie de “líbero”.

A linha defensiva do Santos sofreu muitas baixas ao longo dos últimos anos. Só o Gustavo Henrique já passou por duas cirurgias graves no joelho, então sempre existe preocupação com a saúde do atleta. Além dele, Veríssimo e Luiz Felipe também se machucaram nos últimos dois anos, sendo Lucas Veríssimo o melhor zagueiro do elenco e, infelizmente, ainda entregue ao departamento médico. Nos primeiros jogos do ano, Sampaoli optou por manter a linha de quatro na defesa e utilizou Luiz Felipe e Gustavo Henrique como a dupla titular do setor.

Caso Sampaoli não opte por mudar o esquema logo de cara, o 4-3-3, que impera no Santos desde os tempos de Dorival Jr, não implicaria em nada no estilo de Aguilar. No entanto, seria de bom grado colocá-lo na direita.

Porém, com a chegada de Aguilar é bem provável que o esquema tático mude para uma linha de três na defesa. Em tese, são quatro zagueiros de nível alto para o futebol brasileiro, especialmente se tratando de Aguilar e Veríssimo, que além de superiores aos outros dois, se complementam muito bem. Um é técnico e o outro é forte, tal qual vivenciou o colombiano no Atlético Nacional. O problema, no caso, é a forma física de Veríssimo, que ainda está machucado.

No mundo ideal, com a linha de três e com o Veríssimo inteiro, Sampaoli poderia reviver o 3-5-2 que fez muito sucesso na seleção chilena. No Brasil, esse esquema tático é visto como “retranca” devido ao fato de que os treinadores brasileiros são, em sua grande maioria, retranqueiros por natureza. Entretanto, o treinador argentino já provou por A + B que, com os jogadores certos, ele não só consegue aumentar a capacidade de marcação da equipe como ele dá mais liberdade aos jogadores de frente. Pelo lado esquerdo, por exemplo, Orinho – que apoia muito melhor do que marca – se sentiria mais a vontade. Pensando em Soteldo, o meia-atacante teria mais liberdade para criar e evitar entrar em combate pela bola, já que ela viria com mais qualidade até ele, até porque a presença de Aguilar no nascimento da jogada já é um upgrade importante na armação das jogadas, que já contaria com o suporte dos meias (Pituca e Sánchez, mas que pode ser o Alison caso ele continue na pegada dos dois primeiros jogos do ano).

Aguilar poderia facilmente atuar como volante devido a sua capacidade técnica e visão de jogo. No 3-5-2, o colombiano seria muito importante caso atuasse como líbero (especialmente se todos os zagueiros do elenco estiverem saudáveis.) Aguilar é capaz de carregar a bola do primeiro terço do gramado para a zona de criação, assim como ele tem qualidade técnica suficiente para descolar um passe mais vertical ou até um lançamento em profundidade.

Teoricamente, o 3-5-2 pode virar um 3-4-3 quando o Peixe tiver a posse de bola, sobretudo com o Soteldo caindo pela direita e o Rodrygo abrindo na esquerda, além do Felippe Cardoso centralizando, virando referência no miolo da zaga adversária.

Sampaoli deve trabalhar com duas hipóteses no Peixe: com Rodrygo e sem Rodrygo. Apesar do clube estar acertando nas contratações, ainda é muito pouco devido as necessidades e perdas futuras. Sem o Raio, o Peixe perde em qualidade técnica e, pensando no futuro sem ele e sem outros reforços, Sampaoli poderia lançar mão do 3-4-3 já que teria qualidade vindo de trás (graças ao novo reforço) e exploraria o jogo pelos flancos (sendo que Aguilar é bom lançador).

Aguilar abre um leque de possibilidades para Sampaoli explorar novos esquemas e variações táticas.

Em linhas gerais, Felipe Aguilar é um reforço que eleva o patamar da defesa santista. O colombiano tem experiência e um currículo muito impressionante. Levando em consideração a filosofia de jogo que Jorge Sampaoli pretende colocar em prática no Peixe, a contratação de Aguilar faz muito sentido.

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