Como joga Derlis González?

ATENÇÃO: EU, CAIO NASCIMENTO, NÃO QUERO E NÃO ESTOU DIZENDO QUE O RODRYGO TEM QUE SER RESERVA. O OBJETIVO DESSE TEXTO É EXPLICAR ONDE E COMO JOGA O DERLIS GONZÁLEZ, QUE, POR POSICIONAMENTO TÁTICO, ENTRA EM CONFLITO POSICIONAL COM RODRYGO E BRUNO HENRIQUE. O OBJETIVO É EXPLICAR COMO JOGA O PARAGUAIO E NÃO DIZER QUEM DEVE SER RESERVA OU NÃO. É APENAS ISSO.

Revelado no Rubio Ñú, onde chocou todo o Paraguai por conta de sua velocidade e dribles insinuantes, Derlis González é um jogador bastante polivalente, que aprendeu a desempenhar outras funções devido a sua experiência no futebol europeu.

Apesar da pouca idade, 24 anos, González já jogou em três países diferentes do Velho Continente. O paraguaio foi contratado pelo Benfica quando tinha apenas 18 anos de idade, depois de duas temporadas no futebol doméstico, para a equipe sub-20. Ele foi emprestado duas vezes nesse processo para equipes paraguaias: Guaraní e Olimpia, tendo feito grande jornada pelo time aurinegro.

Ainda na Europa, González foi contratado pelo Basel-SUI para substituir, nada mais nada menos, que Mohamed Salah. Na Suíça, o paraguaio se destacou bastante como ponta-direita, apesar de ter feito fama no Paraguai jogando pela ponta-esquerda, especialmente nos tempos de Guaraní-PAR.

Somente uma temporada foi necessária para fazer com que o Dinamo de Kiev gastasse pouco mais de 8 milhões de euros para contar com González. Na Ucrânia, o ponta atuou nos dois lados do ataque, sendo sempre titular. Na última temporada, antes de ser contratado pelo Peixe, terminou jogando pela direita.

O futebol ucraniano, acima de tudo, é muito físico. González não é um jogador forte fisicamente, porém, é muito rápido e essencial no 1×1.

Figurinha carimbada nas seleções de base do Paraguai, González só foi ganhar uma chance na equipe principal em 2014, no comando de Ramón Díaz. Aliás, o treinador argentino foi fundamental na carreira do jovem atacante, que desempenhou funções completamente diferentes do que estava acostumado.

Pela seleção paraguaia, González já foi ponta-esquerda, ponta-direita, segundo atacante e centroavante. E olha que foram apenas 29 partidas com a camisa albirroja. Devido sua ótima condução de bola, Derlis é muito efetivo em equipes reativas, daquelas que gostam de jogar no contra-ataque ou por uma bola. Díaz é um treinador que costuma montar equipes fortes na defesa e rápidas no contra-ataque e, por ser justamente um corisco, González era tido como o “peixinho dourado” dele.

No 4-4-2 de Ramón Díaz, González e Óscar Romero são importantíssimos para que as jogadas fluam com qualidade. Derlis é perigoso perto do gol por conta de sua habilidade, mas também pode fechar como armador enquanto Romero vem para a ponta.

Suas melhores exibições foram ao lado de Óscar Romero, irmão gêmeo do jogador do Corinthians. Ambos são jogadores rápidos e dribladores, podendo trocar de posição com muita facilidade durante a partida. Num 4-4-2, González sente-se mais à vontade jogando como segundo atacante, sobretudo com a presença de Romero. Caso o meia seja Almirón, que é mais técnico do que Romero, González pode ser centroavante, especialmente se o meio-campo for formado por jogadores de marcação na base do esquema tático.

González já jogou contra o Brasil. Para ser preciso, foi durante as eliminatórias para a Copa do Mundo desse ano. Nessa partida, apesar do resultado negativo para os paraguaios, o novo reforço do Peixe atuou como centroavante, ou “falso 9”, trocando de posição com Miguel Almirón ou Cecílio Domínguez.

Gónzalez também pode ser um armador de jogadas quando tem um companheiro de semelhante qualidade técnica. No Paraguai, ele já atuou assim quando os atacantes eram rápidos, justamente pela necessidade de movimentação. Díaz costumava dar liberdade para que ele trocasse de função com Romero, ou até com Benítez, que fechava de ponta-esquerda, Romero centralizava e González caìa pela direita, enquanto Lezcano ficava como referência – mesmo este sendo um jogador rápido.

Ao lado do “Romero bom”, González ajudou na armação das jogadas. Por ser bastante móvel, ele consegue flutuar entre as posições com facilidade.

Apesar de ter atuado mais pelo lado direito na Europa quando o esquema era 4-3-3, o paraguaio atuou melhor pela seleção quando caiu pela esquerda, lembrando-se dos bons tempos de Guaraní-PAR e Olimpia. Ele se torna ainda mais necessário e importante quando a equipe tem um atacante forte e de área (no caso do Paraguai: Sanabria).

Com um meio-campo mais qualificado, González ganha a liberdade que tanto gosta jogando pelo lado esquerdo.

Taticamente falando, Derlis González pode trazer várias opções para Cuca. Ao contrário de Vitor Bueno, que foi trocado pelo paraguaio, o novo jogador do Peixe possui uma compreensão e leitura de jogo melhor.

Levando em consideração as convicções do treinador, González viria, a priori, para ser ponta-direita. Apesar da função ideal de Gabriel ser a ponta-direita, o técnico santista está cada vez mais convicto de que o atual camisa 10 do Peixe será centroavante, mesmo não sendo seu forte. E quem joga ali, hoje, é o Rodrygo. O lado esquerdo, onde González sente-se mais a vontade, já é de Bruno Henrique (ou do Rodrygo). Imaginando o esforço feito para sua chegada, crê-se que o paraguaio vem para ser titular, porém, cria-se um conflito de posições. Rodrygo é o melhor jogador do time, e que se sente mais a vontade na esquerda, porém, Bruno Henrique, que vem abaixo, segue como titular nas últimas partidas. Cuca vai ter que escolher.

González se adaptou a ponta-direita devido as últimas temporadas no Dinamo. No entanto, quem joga por ali, hoje, é o Rodrygo. Imaginando o Derlis como titular, Rodrygo iria para a esquerda, onde disputaria vaga com Bruno Henrique. Cuca, se optar por Derlis ali, teria que fazer essa escolha.

Devido a forte concorrência no lado esquerdo, González, salvo algum problema, seria a terceira opção na escala hierárquica (atrás de Rodrygo e Bruno Henrique). Porém, o paraguaio pode atuar em duas ramificações interessantes do 4-4-2, uma formação mais simples, mas que pode ser bem explorada dependendo do adversário.

Como González é rápido e habilidoso, pode atuar como meio-campista, especialmente ao lado de um jogador mais cadenciado. O Peixe tem esse jogador e trata-se de Bryan Ruiz. O costarriquenho aprendeu a ser mais pensador durante sua carreira e pode dar um contraste interessante com González, que é mais frenético, porém, sabe armar as jogadas, mesmo nenhum deles sendo centroavante.

González já jogou como meia em sua carreira. Vindo por trás, ele pode ser uma arma interessante, visando a qualidade técnica de Bryan Ruiz.

Caso o time precise ser mais conservador, sobretudo em jogos como visitante, ganhar corpo na marcação seria importante. Bruno Henrique é um grande puxador de contra-ataques, mas sua condição física não é a ideal nessa temporada pós-lesão. Numa situação que exija uma postura mais conservadora, González seria um “coringa” ideal. Com três jogadores de marcação dando consistência, não apenas o paraguaio não precisaria voltar como poderia trocar de posição com Bryan Ruiz. Dependendo da ocasião, optando por mais leveza, Derlis e Rodrygo poderiam jogar juntos.

Dependendo do adversário e da circunstância, González poderia cair pela esquerda e fazer uma dupla de ataque com Rodrygo ou Gabriel. Ruiz teria mais liberdade para encostar no ataque.

Atuando como segundo atacante, caindo mais pela esquerda, González permitiria mais movimentação e velocidade, além de puxar contra-ataques devido sua ótima condução de bola. Ruiz, em outrora, já atuou pelas beiradas do campo, podendo trocar de lugar com o paraguaio. Dependendo da situação, esse 4-4-2 pode virar um 4-3-3 com Ruiz caindo pela esquerda e Gonzalez indo para a direita, dando mais liberdade de avanço para Pituca e Sánchez. Uma alteração de postura sem precisar mudar as peças.

Em tese, Derlis vem para agregar ao elenco, dando várias opções de esquema devido a versatilidade que aprendeu nessa curta trajetória . Com as peças que tem à disposição, o treinador vai ter que mostrar arrojo também.

REFORÇANDO: EU, CAIO NASCIMENTO, NÃO QUERO E NÃO ESTOU DIZENDO QUE O RODRYGO TEM QUE SER RESERVA. O OBJETIVO DESSE TEXTO É EXPLICAR ONDE E COMO JOGA O DERLIS GONZÁLEZ, QUE, POR POSICIONAMENTO TÁTICO, ENTRA EM CONFLITO POSICIONAL COM RODRYGO E BRUNO HENRIQUE. O OBJETIVO É EXPLICAR COMO JOGA O PARAGUAIO E NÃO DIZER QUEM DEVE SER RESERVA OU NÃO. É APENAS ISSO.

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