Como joga Bryan Ruiz?

Bryan Ruiz é o jogador que Jair Ventura esperneou nesses seis meses de trabalho no Santos. É um “camisa 10”. Daqueles de passada larga, de visão de jogo, chute apurado e lances plásticos.

Não existe segredo na maneira como joga o costarriquenho, tampouco seu posicionamento dentro de campo. Ele vai ser o cara que fica atrás da linha de atacantes, mais especificamente como uma sombra do centroavante, colado nele.

Canhoto, Ruiz é muito habilidoso e consegue consertar jogadas com uma facilidade tremenda. Seu ápice, ao contrário do que muitos pensam, foi pelo Twente, da Holanda, onde aprendeu muito sobre futebol.

O futebol holandês é o mais próximo do que temos do futebol brasileiro só que praticado na Europa. Lá existe mais liberdade ofensiva, especialmente na parte criativa. Pelo Twente, Ruiz chegou a jogar de ponta-esquerda devido à qualidade de seus dribles e finalização letal. Em sua primeira temporada, Ruiz marcou 30 gols no 4-3-3 de Steve McClaren.

Futebolisticamente falando, a transferência para o Fulham foi importante para o jogador. No clube inglês, ele chamou a atenção de muitos adeptos, inclusive marcando um golaço contra o Everton de cobertura diretamente da ponta-esquerda. Em Craven Cottage, ele atuou mais pelo lado esquerdo no 4-2-3-1.

Já pela seleção da Costa Rica, sempre atuou como o famigerado “camisa 10”. Sua função era óbvia: armar todas as jogadas dos Ticos. Essa versatilidade de Ruiz lhe ajudou ao longo da carreira, pois sua movimentação pode ser alterada facilmente, especialmente do centro para o flanco esquerdo.

Essa foi a grande arma da Costa Rica, que surpreendeu a todos durante a Copa do Mundo de 2014 ao passar em primeiro no “Grupo da Morte”, que tinha também Uruguai, Itália e Inglaterra, e chegar as quartas-de-final, onde fora eliminada pela Holanda nos pênaltis.

Os Ticos eram uma equipe estritamente de contra-ataque. Com a inteligência e movimentação de Ruiz, a Costa Rica, de Jorge Luís Pinto, dava poucos toques na bola até conseguir o gol. De forma simples, o colombiano escalava a Costa Rica no 4-4-2 com liberdade total para Ruiz se movimentar.

No Sporting, apesar da última temporada ter sido abaixo do esperado (até de uma maneira geral, porque o clube amarelou lindamente), Ruiz mudou seu jeito de jogar. Nos Leões, dependendo do esquema tático, o costarriquenho chegava a atuar como segundo volante ou meia-esquerda, sempre no 4-2-3-1.

Na primeira temporada em solo lisboeta, Ruiz fez 46 jogos e marcou 13 gols, mesmo atuando longe do ataque. Sua leitura de jogo chama a atenção, pois ele entra muitas vezes na área como efeito surpresa. Isso ajudou também pelo fato de ter sido escalado mais à frente, antes da contratação de Bruno Fernandes. Das três épocas em que passou lá, a última, definitivamente, foi a mais fraca. No entanto, o clube estava mergulhado num caos profundo desde a presidência do clube até o treinador. Suas lesões, inclusive, atrapalharam bastante no desenvolvimento.

Apesar de ter sido peça-chave na classificação da Costa Rica, Ruiz – assim como a seleção, de modo geral – não se destacou na Copa de 2018. Muitos de seus companheiros da heroica campanha em 2014 já não aguentavam mais jogar como outrora. O treinador, inclusive, já não era mais o mesmo. O time se tornou previsível.

Agora com 32 anos, e bastante experiente, Bryan Ruiz chega ao Santos para ser o “regente” dessa equipe débil em termos de criatividade. O costarriquenho, que já vivenciou vários esquemas táticos, chega numa equipe que praticamente não muda seu esquema.

Jair Ventura é vidrado no 4-1-4-1, mas que, em tese, nunca se confirmou. O time está mais para o 4-2-3-1, que Ruiz vivenciou bastante em suas passagens pelo Fulham, PSV e Sporting. Claramente, o que chamou a atenção da diretoria santista foi o desempenho de Ruiz na Copa de 2014, cujo esquema tático era o 4-4-2. Dá para o treinador santista adaptar o jogador?

Dá. Sobretudo porque o futebol praticado no Brasil não é minimamente equiparável com um futebol europeu ou de Copa do Mundo. Bryan Ruiz precisa de uma base de volantes segura para poder atuar com a liberdade que tem na seleção. Supondo, num primeiro momento, que só venha ele de reforço, essa base precisa ser formada por Pituca e Alison. Um que ajude Ruiz na transição de jogo (Pituca) e outro que marque por ele (Alison).

Levando em consideração o que o Santos tem de concreto no momento, esse seria o melhor posicionamento para Bryan Ruiz no Peixe.

 

Caso se concretize a vinda de Carlos Sánchez, o cenário fica mais interessante do ponto de vista tático. O uruguaio é mais inteligente e eficiente que Alison, que joga pelo lado direito, assim como o Charrúa. Todavia, o comprometimento tático de Sánchez lembra muito o de Celso Borges, camisa 5 da seleção da Costa Rica, que faz muito bem a marcação do Ruiz e auxilia em jogadas ofensivas, justamente porque tem ótimo passe.

Caso se confirme a especulação de Sánchez, o Peixe ganharia um artifício importante no meio-campo: versatilidade e criatividade. O estilo dele casa muito bem com o de Ruiz.

Especulando essa dupla, ficaria a cargo do treinador definir quem seria o outro jogador do meio-campo: Alison ou Pituca. Alison é um jogador muito forte e de marcação. Pituca é muito mais técnico e joga bem em qualquer função no meio-campo. O que, em tese, não pode ser mudado, é a função de Ruiz-Sánchez, sobretudo pela idade dos dois atletas. O primeiro tem 32 e o segundo 33.

Alison iniciou muito bem o ano, mas vem regredindo um pouco devido aos problemas com lesões no joelho. Sánchez já é um veterano, mas parece ter lenha para queimar. Jair nunca mudou seu esquema, mas levando em consideração a nova necessidade que pode surgir com dois veteranos no meio-campo, um esquema com quatro jogadores na meiúca pode dar muito certo.

Ambos os atletas agregariam muito valor técnico e tático ao Peixe, especialmente Ruiz, tema desse primeiro post. Caso o uruguaio acerte mesmo com o Peixe, outro post dedicado somente a ele será feito. Cabe agora ao treinador fazê-lo jogar numa situação mais propícia.

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