Análise tática sobre a estreia do Santos na temporada

A primeira partida oficial do Santos na temporada não começou da maneira como o torcedor esperava. O que assustou não foi apenas o empate contra o São Bernardo por 1×1 na Vila Belmiro, mas a maneira como o Santos jogou contra o Bernô. Esperava-se que os jogadores estivessem um pouco enferrujados, porém os atletas do Santos mostraram que estavam mais perdidos em campo do que a famosa “perna pesada”, decorrente do pouco tempo de preparação que tiveram.

Levando em consideração os jogos-treino, quando o Santos mostrou uma movimentação mais apurada do que aquela vista no sábado, era esperado um time mais insinuante, com troca de posições constantes, velocidade no contra-ataque e dribles, mas faltou tudo isso, o que ajudou e muito na jornada do adversário que segurou o Peixe até Lucas Lima (que foi muito mal no contexto geral) achar o sempre fatal Gabigol dentro da área para sentenciar o empate.

Entretanto, a falta de efetividade do ataque santista só ficou latente porque antes a zaga demonstrou uma deficiência que o torcedor já esperava desde a contusão de David Braz na final da Copa do Brasil. O time conseguiu se livrar de Werley, porém segundo declaração da diretoria durante a semana, o clube achou que não seria necessário correr atrás de outro zagueiro para a posição, apostando claramente em Lucas Veríssimo, cria da base. No entanto, o jovem zagueiro santista mostrou que ainda está muito cru para aguentar a responsabilidade de ser titular. O próprio Gustavo Henrique, que já está no time principal há três temporadas, ainda não conseguiu demonstrar autoconfiança, apesar de ser ótimo quando está ao lado de um zagueiro mais experiente.

O gol do São Bernardo é o exemplo perfeito de como o setor defensivo do Santos estava mal posicionado na partida. O gol do Tigre surgiu após um cruzamento do lado oposto da origem do gol. A bola foi mal afastada por Gustavo Henrique, deixando cair nos pés do lateral que, de primeira, bateu cruzado na pequena. Detalhe: nesse momento, quem vai correndo marcar o jogador livre do São Bernardo é o Thiago Maia, volante, numa posição em que quem deveria estar cuidando era o Zeca. Na pequena área de Vanderlei tinha três jogadores do São Bernardo, estando dois livres e um “marcado” pelo Lucas Veríssimo. O jovem zagueiro, talvez pela inexperiência, deixou Diego Ivo se antecipar, dominar a bola (que escapuliu) e acabou nos pés de Luciano Castán, livre de marcação, para anotar o tento do adversário. Uma verdadeira bagunça. Gustavo Henrique ficou no primeiro pau apenas olhando, enquanto Lucas Veríssimo marcava o jogador errado, deixando Luciano Castán livre para cometer o crime. Erro de posicionamento que deveria ter sido trabalhado durante a pré-temporada.

Em vermelho está a marcação do Santos durante o lance que originou o gol do São Bernardo. Repare como os jogadores estão fora de posição, deixando Luciano Castán em um verdadeiro vácuo

Em vermelho está a marcação do Santos durante o lance que originou o gol do São Bernardo. Repare como os jogadores estão fora de posição, deixando Luciano Castán em um verdadeiro vácuo

Percebendo a deficiência da zaga santista, que seguia mal posicionada, os alas do São Bernardo não titubeavam em cruzar a bola para a área santista, sempre causando calafrios nos torcedores que acompanhavam a partida.

Mais um erro crasso de posicionamento da defesa santista que poderia ter sido fatal. Em azul está Gustavo Henrique, completamente longe da jogada, enquanto Lucas Veríssimo (em vermelho) é o mais próximo do atacante do Tigre, que por muito pouco não chegou na bola. Victor Ferraz (em preto) teve que se deslocar para o meio da área, devido ao péssimo posicionamento defensivo dos dois zagueiros.

Mais um erro crasso de posicionamento da defesa santista que poderia ter sido fatal. Em azul está Gustavo Henrique, completamente longe da jogada, enquanto Lucas Veríssimo (em vermelho) é o mais próximo do atacante do Tigre, que por muito pouco não chegou na bola. Victor Ferraz (em preto) teve que se deslocar para o meio da área, devido ao péssimo posicionamento defensivo dos dois zagueiros.

Outro grande erro, e talvez sintomático, que o Santos cometeu durante a partida foi os chutões – a famosa “quebrada” que a defesa faz no rachão para o pessoal que fica no ataque. O Santos abusou da ligação direta feita muitas vezes por Gustavo Henrique, que errou tudo, praticamente. Esses chutões minavam cada vez mais as chances de criação do Peixe, que quando não era por ligação direta, esticavam a bola na lateral que buscava o cruzamento.

Faltou o que o Santos mostrou de melhor na temporada passada: um Lucas Lima mais ativo, buscando o jogo no meio e com o auxílio dos volantes, que ficaram mais presos do que nunca na marcação deficitária da equipe. Paulinho, que por enquanto é o titular da posição, resguardou-se à ponta-esquerda, sem fazer menção de sair de lá. Devido às ligações da defesa para o ataque, ficou fácil para a dupla de zaga do São Bernardo marcar o ataque do Santos em linha, deixando Ricardo Oliveira várias vezes em posição de impedimento.

Por irônico que pareça, o gol santista foi fruto de um cruzamento muito bem feito de Lucas Lima para Gabriel, que se desvencilhou da marcação e cabeceou com classe para igualar o placar. Não é proibido cruzar ou lançar a bola para o ataque, porém, fazer isso em demasia e com má qualidade destruiu completamente o ataque santista, que tinha se notabilizado justamente pelas jogadas rápidas e curtas.

Ficar insistindo numa tônica igual o Santos fez durante a partida deixa o torcedor com uma pulga atrás da orelha. O próximo adversário é a Ponte Preta, bem mais forte que o São Bernardo, num estádio completamente nocivo ao Santos, que sempre joga mal lá. Para a próxima partida será necessário muito cuidado com as bolas áreas, onde o time pecou demais na partida anterior, além de reforçar a marcação dos pontas e laterais da Macaca.

Comentários

comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *