Peixinho marca diante do Independiente no Maracanã: lesado, Santos foi eliminado no único confronto pela Libertadores (Foto: reprodução Jornal do Brasil)

Santos x Independiente: histórico na Libertadores

No único encontro entre as equipes pela Copa, a vitória foi dos argentinos. Anos depois, foi descoberto suborno para prejudicar o Santos naquelas partidas

São dez títulos em jogo no confronto entre Santos e Independiente, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. Três dos brasileiros e sete dos argentinos, os maiores vencedores da competição.

Apesar de tradicionais no maior torneio do continente, os clubes enfrentaram-se somente em duas oportunidades – ambas pelas semifinais da edição de 1964. O Santos foi derrotado nos dois jogos, sendo eliminado e impedido de conquistar o tricampeonato consecutivo.

Muitos anos depois, uma ligação telefônica interceptada pela polícia argentina acabou revelando a confissão de interferência no resultado da partida. Julio Grondona, então presidente do Independiente, subornara o árbitro para favorecer sua equipe. “Em 1964, quando jogamos com o Santos, eu bati o (árbitro) Leo Horn, que era holandês, com os dois bandeirinhas”, disse Grondona, confundindo o nome do apitador na ocasião – o inglês Arthur Holland atuou nos dois jogos.

Santos derrotado no Maracanã
A primeira partida foi disputada no Maracanã, por opção da diretoria santista. O time ganhou ares de “patrimônio nacional”, em uma época onde o nacionalismo estava em alta – poucos meses antes o golpe militar havia sido perpetrado no país. O interesse pela partida era tamanho que o programa “Voz do Brasil”, mudou seu horário, para não atrapalhar a transmissão da partida via rádio.

Por motivo de lesões, o Santos mandou a campo time praticamente misto. Pelé, Coutinho, Mengálvio, Toninho Guerreiro, Dalmo e Joel Camargo eram alguns dos desfalques. Lula escalou o onze inicial com Gylmar; Lima, Modesto, Geraldinho e Haroldo; Zito e Noriva; Peixinho, Almir, Rossi e Pepe.

O Independiente veio com força máxima, utilizando boa parte da equipe que venceu o título argentino de 1963.

Após o nervosismo inicial, o Santos abriu o placar com Pepe, de maneira habitual ao ponta esquerda: falta cobrada com extrema violência e bola no barbante. Onze minutos após o gol, Peixinho ampliou para o Alvinegro, depois de ótima troca de passes com Rossi.

A vantagem no marcador relaxou os brasileiros, que permitiram os adversário chegar à igualdade do placar ainda na primeira etapa. Rodríguez marcou de cabeça aos 39 e Bernao empatou aos 44 minutos.

O segundo tempo teve ritmo mais lento e a falta de entrosamento não permitiu que os santistas pudessem tentar algo a mais. Nos últimos minutos, o domínio argentino foi total e o castigo chegou próximo ao fim. Suárez entrou na área e acertou um chute forte, assinalando o tento da vitória do Independiente.

“O quadro argentino é muito rápido. Seus jogadores correram o tempo todo, não dando chance ao nosso. Não faço nenhuma restrição ao triunfo do Independiente, mas a verdade é que o Santos pôs em campo um time de emergência. Não houve tempo para entrosar os novos e não podíamos esperar por um milagre”, disse o técnico Lula ao final da partida.

Eliminação em Avellaneda

Ainda com muitos desfalques e desprovido de sua maior estrela, Pelé, o Santos foi à Avellaneda, na Argentina, para tentar vencer e forçar a realização do jogo de desempate.

Reforçados em relação ao time que jogou a primeira partida, o técnico Lula mandou à campo Gylmar; Ismael, Modesto, Haroldo e Dalmo; Zito e Lima; Peixinho, Toninho, Almir e Pepe.

A partida começou nervosa, mas com o Santos melhor postado em campo. Pepe perdeu clara chance de marcar nos primeiros minutos – o que poderia ter mudado a história do primeiro tempo. Rapidamente os argentinos recuperaram o domínio e abriram o placar. Em falha da defesa santista, Mori marcou.

A vantagem argentina durou muito pouco, pois logo no reinício do jogo, Toninho Guerreiro empatou. O atacante recebeu lançamento de Zito, dominou e acertou belo arremate, no canto direito do goleiro Toriani.

O intenso primeiro tempo fez com que os jogadores santistas diminuíssem o ritmo, demonstrando excessivo cansaço. Desta forma, os argentinos retomaram o controle da partida. Jogando com a vantagem, tiveram a calma necessária para envolver o sistema defensivo do Santos e chegaram ao gol que garantiu-lhes a vitória: Rodríguez marcou.

A derrota pôs fim ao sonho do tricampeonato, em tempos que a Copa Libertadores tinha muito menos prestígio do que atualmente.

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