Um dia transgressor para o esporte brasileiro. Do desejo ambicioso de jovens moradores de uma cidade do litoral paulista, surgia o maior clube de futebol do mundo.

A reunião para a criação do novo clube foi organizada por Mario Ferraz de Campos, Raymundo Marques e Argemiro de Souza Júnior. Ao final da conferência, realizada no Club Concórdia, ficou decidido que a nova agremiação levaria o nome da cidade que o gerara: Santos Football Club. As cores seriam brancas e azuis, com frisos dourados entre elas, oficiais por apenas onze meses: logo o clube se tornaria alvinegro.

No extinto jornal Diário de Santos, uma nota era publicada anunciando o nascimento do novo clube. “Fundou-se hontem nesta cidade, sob os melhores auspiciosos o “Santos Foot-Ball Club”, com o elevado número de 146 sócios”.

O primeiro presidente foi Sizino Patusca e entre os 146 sócios-fundadores estava Arnaldo Silveira, autor do primeiro gol na história do clube e o primeiro jogador do Santos a servir a Seleção Brasileira. Arnaldo foi o capitão do escrete canarinho na conquista da Copa América de 1919, primeiro título oficial da nossa Seleção. Desde as primeiras décadas do futebol, o Santos já ajudava a Seleção Brasileira em grandes conquistas. Fato que se repete até hoje.

Um ano após sua criação, o clube sagrava-se campeão santista ao derrotar o Atlético Santista por 7 a 0. O torneio era composto por apenas quatro clubes, dado o amadorismo da atividade à época. Neste mesmo ano, o time praiano debutava no Campeonato Paulista, ainda integralmente disputado na Capital, no campo do Parque da Antarctica Paulista – hoje Allianz Parque. Terminou em último lugar, tendo desistido de participar das últimas partidas.

Na década de 20, o Santos consolidou-se como força estadual. Disputou todas as edições e chegou na segunda colocação em 1927, 28 e 29. Na campanha de 1927, o Santos tornou-se o primeiro clube a atingir a marca de 100 gols em uma mesma edição do campeonato. O ataque arrasador era formado por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista. O título escapou por pouco, perdido para o Palestra Itália, na Vila Belmiro. Nesta ocasião, o Santos sentiu uma das primeiras vezes o gosto amargo dos erros de arbitragem, que o acompanharia em outras oportunidades em sua história centenária.

O título que não viera antes, acabaria por chegar às mãos santistas, em 1935. Araken Patusca, filho de Sizino – o primeiro presidente, comandou a equipe que derrotou o Corinthians na Fazendinha e garantiu a primeira conquista estadual do clube. Alinharam naquela histórica tarde de 17 de novembro: Cyro; Neves e Agostinho; Ferreira, Marteletti e Jango; Sacy, Mario Pereira, Raul, Araken e Junqueirinha.

Primeiro clube sediado fora da Capital a vencer o Campeonato Paulista, o Santos teria a maior espera de sua história para voltar a conquistar o título estadual. Foram 20 anos até o grito de campeão explodir das gargantas santistas. Manga; Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga, Urubatão; Tite, Álvaro, Del Vecchio, Negri e Pepe. Estes foram os onze santistas que alinharam na vitória sobre o Taubaté, que selou a conquista de 1955. Zito, Ivan, Alfredinho, Pagão e Vasconcelos eram outros integrantes do elenco vitorioso. O bicampeonato em 1956 consolidou a força do esquadrão alvinegro, que receberia em 8 de agosto daquele ano o maior reforço da história do futebol: chegava Pelé à Vila Belmiro.

O triunfo de 1955 seria, também, o início do período mais glorioso que um clube sul-americano já viveu. Nos quinze anos seguintes o Santos conquistou 27 títulos oficiais: Campeonato Paulista (11 vezes), Torneio Rio São Paulo (04 vezes), Taça Brasil (06 vezes), Copa Libertadores (02 vezes), Mundial Interclubes (02 vezes), Recopa Sul-Americana (01 vez) e Recopa Mundial (01 vez). Nesta época, africanos chegaram a parar guerras apenas para ver o time alvinegro jogar.

Dos 20 maiores artilheiros da história centenária do clube, 11 atuaram neste período. Para que se tenha ideia de como o Santos tornou-se uma máquina de fazer gols, foram 2055 gols marcados pelo quarteto Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. O Rei do Futebol marcou 1.091 gols com a camisa do Santos, fazendo do alvinegro, mais uma vez, o primeiro: nenhum outro futebolista marcou tantos tentos com uma mesma camisa.

Nas finais da Libertadores e Mundial Interclubes de 1962 o Santos atuou com seu onze inicial mais famoso e festejado, considerado o “Time dos Sonhos”: Gylmar; Lima, Mauro, Calvet, Dalmo; Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Ao final de tão vitorioso período, os títulos rarearam, mas a magia em torno do clube nunca sumiu. Em 1978, com diversos problemas financeiros, o clube apostou em garotos que surgiam das categorias de base. A fórmula deu certo e a primeira geração de “Meninos da Vila”, com Nilton Batata, Juary, Pita e João Paulo, conquistou o título estadual de maneira brilhante. Seis anos após esta conquista, o alvinegro voltaria a dominar o certame paulista, desta vez com uma equipe madura e guerreira, que tinha como símbolos máximos Rodolfo Rodríguez, Márcio, Dema e Serginho Chulapa.

De 1985 a 2001 a torcida santista viveu um verdadeiro calvário. Foram campanhas sem brilho, lampejos de magia logo acossados por insucessos, baderna administrativa – com um presidente sendo destituído do cargo – e muita frustração.

O ano de 2002 começou com incertezas, e, após mais uma campanha frustrada, a diretoria resolveu apelar para expediente conhecido na Vila Belmiro: apostar nos jovens talentos. A receita já utilizada anteriormente mostrou-se infalível e o Santos encerrou o incômodo jejum de 18 anos sem conquistas, faturando os Campeonatos Brasileiros de 2002 e 2004. O time que trouxe ao mundo Robinho e Diego, trouxe também Alex, Elano, Paulo Almeida e consolidou jogadores como Fábio Costa, Léo, Renato e Alberto.

Voltar a vencer o campeonato estadual levou pouco mais de tempo. O título de 2006 foi seguido com o bicampeonato em 2007 e uma nova dinastia doméstica se instaurava. Entre 2006 e 2015 o Santos chegou a nove finais em dez competições, faturando seis títulos (destaque para o tricampeonato de 2010/11/12).

Neste período, iniciado em 2009, um novo raio cairia em Vila Belmiro: Neymar. Desde a chegada ao clube, com 12 anos de idade, era consenso que se tornaria grande jogador. Com seu futebol irreverente, conquistou três Paulista, uma Copa do Brasil e o tão esperado tricampeonato da Copa Libertadores, em 2011. Marcou, também, gols antológicos, como aquele contra o Flamengo, que ganhou o Prêmio Puskas, oferecido pela FIFA ao gol mais bonito do futebol mundial a cada ano.

Em 2015, o ano começou com grave crise financeira causada por administrações atrapalhadas. Todos na imprensa apontavam que havia chegado a hora do rebaixamento a divisões inferiores, talvez na torcida para que acontecesse ao Santos o que outros grandes clubes brasileiros já vivenciaram. Mesmo com descrédito, o alvinegro demonstrou sua força e conquistou o Campeonato Paulista e chegou à final da Copa do Brasil.

São tantas glórias, tantos feitos, tantas conquistar que não se pode negar que o Santos é o campeão dos campeões.